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Interior

Ameaça do PCC a diretor de presídio espalha medo na fronteira

Moradores da linha internacional temem novo banho de sangue entre Pedro Juan e Ponta Porã

Por Helio de Freitas, de Dourados | 27/05/2021 10:46
Penitenciária de Pedro Juan Caballero, onde estão presos do PCC (Foto: Marciano Candia/Última Hora)
Penitenciária de Pedro Juan Caballero, onde estão presos do PCC (Foto: Marciano Candia/Última Hora)

“A guerra vai recomeçar”. A frase é de morador da linha internacional entre o Paraguai e Mato Grosso do Sul após a ameaça feita ontem (26) por suposto integrante da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) contra o diretor da penitenciária regional de Pedro Juan Caballero.

Cidade-gêmea de Ponta Porã (a 323 km de Campo Grande), Pedro Juan Caballero, capital do Departamento de Amambay, divide com a vizinha brasileira a incômoda posição de principal base do crime organizado instalado na fronteira.

Fontes ouvidas pelo Campo Grande News e que pedem anonimato por medida de segurança afirmam que a execução do agente penitenciário Juan Carlos Valiente Quiñonez, 37, na manhã de ontem (26), foi apenas o primeiro capítulo do banho de sangue prometido pela facção brasileira, atualmente a principal força criminosa na linha internacional.

No vídeo que circula em grupos do aplicativo WhatsApp e ao qual o Campo Grade News teve acesso na noite desta quarta, suposto membro da facção ameaça o diretor do presídio, Luis Esquível, por supostos atos de violência contra os presos. As ameaças foram feitas também contra o agente penitenciário Felipe Estigarribia.

O vídeo circulou horas depois de Luis Esquível afirmar em entrevista a repórteres paraguaios que a execução de seu agente seria retaliação pelo pente-fino que recolheu armas dos presos na sexta-feira passada.

Hoje, a ministra da Justiça do Paraguai, Cecilia Pérez, disse ao jornal Última Hora que peritos estão analisando o vídeo. Segundo ela, o diretor mora no próprio presídio, onde a segurança já é reforçada. Felipe Estigarribia, também alvo das ameaças, é investigado por supostamente “vazar” informações a um dos presos sobre vistoria que seria feita nas celas.

Rotela – Outra linha de investigação sobre a morte do agente penitenciário levanta suspeita contra a facção Clã Rotela, formada por presos paraguaios e principal oposição ao PCC no país vizinho.

Fontes ouvidas pelo jornal ABC Color revelaram que Juan Carlos Valiente Quiñonez teria colocado dois integrantes do Clã Rotela em celas dominadas por presos do PCC. Os dois teriam sido agredidos. Entretanto, essa versão contraria as ameaças feitas no vídeo, que claramente transfere para a facção brasileira a responsabilidade pelo assassinato.

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