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Interior

Apontada como mandante de assassinato do pai, advogada pede prisão domiciliar

Filha e marido teriam planejado a morte de Paulo Sérgio de Freitas Miranda, 57 anos, atingido por vários tiros

Por Dayene Paz | 24/11/2021 08:24
Fazendeiro Paulo Sérgio. (Foto: Arquivo Pessoal)
Fazendeiro Paulo Sérgio. (Foto: Arquivo Pessoal)

Apontada como mandante da morte do pai, o fazendeiro Paulo Sérgio de Freitas Miranda, 57 anos, a advogada Dayane Claudino Miranda Marcos, 29 anos, entrou com pedido de prisão domiciliar nesta terça-feira (23). Ela e o marido, Tiago da Rosa Marcos, estão presos preventivamente. O crime ocorreu em Naviraí, a 359 quilômetros de Campo Grande, no dia 23 de setembro.

No pedido desta terça, a defesa alega que Dayane tem dois filhos menores de idade, que precisam dos pais. "(...) deve-se prestigiar o direito da criança em detrimento da cautela processual à disposição da persecução penal de modo que são aplicáveis os ditames do artigo 318, V, do Código de Processo Penal: a conversão da medida ultima ratio em prisão domiciliar com vistas a se garantir o cuidado de seus filhos menores (...) uma vez que o pai das infantes, igualmente, também se encontra tolhido de sua liberdade".

O casal é morador em Guaíra (PR). Ambos são apontados como mandantes do assassinado do fazendeiro. O alvo também era a esposa dele, que não foi atingida pelos disparos.

Investigação - A Polícia Civil indiciou, além do casal, outros quatro envolvidos no crime. Um dos pistoleiros, que inclusive aparece nas câmeras de segurança que flagraram o ataque, morreu em troca de tiros com policiais militares no dia 18 de novembro, em Palotina (PR), após ter roubado uma caminhonete Hilux.

Momento em que a filha da vítima foi presa. (Foto: Polícia Civil)
Momento em que a filha da vítima foi presa. (Foto: Polícia Civil)

Conforme apurado, Dayane e o esposo não tinham mais contato com o fazendeiro devido a um desentendimento familiar a respeito de um suposto abuso, que segue sendo investigado pela Polícia Civil da cidade de Guaíra (PR). As terras onde o casal vivia estavam no nome de Paulo Sérgio, e ainda segundo a polícia, filha e genro passavam por problemas financeiros, o que também pode ter contribuído na decisão de mandar matar o produtor rural.

Um dia depois do crime, os policiais descobriram que o veículo Monza utilizado no ataque havia passado por reparos numa oficina na cidade de Guaíra (PR), e que a pessoa que teria solicitado os reparos era um primo de Tiago da Rosa. Também no Paraná, na cidade de Palotina, os policiais conseguiram identificar um dos pistoleiros contratados para realizar o crime. Descobriram, inclusive, a residência onde os criminosos se esconderam após a execução, bem como identificaram o motorista que deu fuga aos assassinos e o veículo usado.

Diante das informações, no dia 8 de outubro, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão domiciliar na cidade paranaense. Segundo a Polícia Civil, o genro da vítima, seu primo e um dos pistoleiros mantinham contato telefônico antes, durante e dias após o crime. O primo do suspeito chegou a ligar para o genro da vítima enquanto ele estava no hospital de Naviraí, aguardando notícias do sogro. Também foi apurado que um dos pistoleiros manteve contato com o genro da vítima, dois dias após o crime.

No dia 20 de outubro, mais dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos, desta vez, na região de Maracaju dos Gaúchos, em Guaíra (PR). Na ocasião, Tiago da Rosa e o motorista que deu fuga aos pistoleiros foram presos. Já o primo de Tiago foi preso em Joinville (SC) e o outro pistoleiro preso em Palotina (PR). Em depoimento à Polícia Civil, o suspeito confirmou ser um dos pistoleiros do crime, bem como confirmou todos os indícios e provas levantados pela investigação.

No último 18 de novembro foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva dos suspeitos - que já estavam presos na Penitenciaria de Segurança Máxima de Naviraí - e contra Dayane, que estava na casa de sua sogra, na região de Maracaju dos Gaúchos, em Guaíra (PR). Já o último suspeito do crime e um dos pistoleiros morreu na cidade de Palotina (PR), depois de confronto armado com policiais militares, após ter roubado uma caminhonete Hilux em Moreira Sales (PR).

Equipes da Polícia Civil durante buscas nos endereços dos alvos. (Foto: Divulgação)
Equipes da Polícia Civil durante buscas nos endereços dos alvos. (Foto: Divulgação)

Em família - A Polícia Civil concluiu que a execução de Paulo Sérgio de Freitas Miranda foi minuciosamente planejada pela família. Cada um dos pistoleiros foi contratado por R$ 20 mil, mas sequer receberam o pagamento. O contratante foi o primo do genro da vítima, que inclusive foi quem levou os criminosos até Naviraí, dois dias antes do crime.

Paulo e a esposa seriam executados naquele mesmo dia, mas imprevistos fizeram que o crime fosse adiado e que um outro comparsa fosse contratado por R$ 5 mil, para fugir com a dupla após a execução. Para não levantar suspeitas, os pistoleiros e o motorista da fuga passaram a noite do dia 22 para o dia 23 (dia do crime) na cidade de Itaquiraí (MS), onde receberam o veículo Monza do primo do genro da vítima. Após o crime, a dupla fugiu com o motorista da fuga em um veículo Astra.

Conforme apurado, os pistoleiros só receberam de pagamento as armas usadas no crime e um veículo Citroen C5, apreendido na Delegacia de Polícia de Palotina (PR).

O crime - Paulo foi atacado no dia 23 de setembro em sua fazenda, localizada no complexo de fazendas Araguaia, no município de Naviraí. Câmeras de segurança flagraram a vítima sendo morta com tiros à queima roupa ao lado de um trator, dentro do barracão da fazenda. Um dos criminosos também disparou contra uma mulher que tentou ajudar a vítima, mas não a atingiu.

Paulo foi atingido com tiros no rosto, braços, abdômen e mãos. Ele foi socorrido em estado grave pelo Corpo de Bombeiros Militar, foi levado ao hospital, mas não resistiu e morreu três dias depois.

O Monza usado pela dupla foi encontrado abandonado na estrada que liga Naviraí ao assentamento Juncal. Os dois homens fugiram a pé e abordaram um motorista de caminhão pipa tentando "pegar carona". Logo em seguida, eles abordaram uma caminhonete e, com armas em punho, fizeram o motorista refém e obrigaram o homem a dirigir até a área urbana de Naviraí, onde desceram do veículo e fugiram a pé pelo Bairro Jardim Paraíso. De lá, encontraram o comparsa que os tirou da cidade.

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