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Interior

Arthur Kemishian é oitavo policial civil executado na fronteira desde 2012

Foi o primeiro caso em Sete Quedas; Paranhos e Tacuru são cidades com duas execuções de policiais em oito anos

Por Helio de Freitas, de Dourados | 07/02/2020 11:37
HB20 do policial Arthur Kemishian com marcas de tiros no vidro e na porta; ele morreu ontem à noite (Foto: Direto das Ruas)
HB20 do policial Arthur Kemishian com marcas de tiros no vidro e na porta; ele morreu ontem à noite (Foto: Direto das Ruas)

O investigador de Polícia Judiciária Arthur Kemishian, 30, vítima de emboscada na noite desta quinta-feira (6) em Sete Quedas, a 471 km de Campo Grande, é o oitavo policial morto a tiros na Linha Internacional desde 2012. Segundo policiais envolvidos na investigação, Arthur foi vítima de crime passional, mas pelo menos outro cinco casos foram execuções atribuídas ao crime organizado da fronteira.

Ao contrário do assassinato de Arthur – cujos autores foram presos em flagrante – as mortes consideradas execuções continuam sem solução.

Foi o que aconteceu com o investigador Wescley Vasconcelos, 37, o Baiano, executado com pelo menos 30 tiros de fuzil 7.62 em março de 2018 em Ponta Porã, a 323 km de Campo Grande.

A polícia sul-mato-grossense passou vários meses investigando o caso, alguns suspeitos foram detidos, mas quase dois anos depois não houve uma declaração oficial sobre as investigações. A principal suspeita é de que o narcotraficante Sergio Arruda Quintiliano Neto, o “Minotauro”, tenha mandado matar Wescley após o policial descobrir seu esconderijo na fronteira.

De acordo com o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis), as outras mortes ocorreram em 2012, 2014, 2015 e 2016. Tacuru e Paranhos se destacam no mapa da violência, com dois policiais mortos em cada uma dessas pequenas cidades.

Foram dois policiais mortos em 2016. Aquiles Chiquin Junior, 34, foi executado a tiros de fuzil em Paranhos enquanto malhava em uma academia, no dia 14 de junho. Outras quatro pessoas foram atingidas. A morte dele foi atribuída ao Bando do Zacarias, uma das quadrilhas que na época dominavam o tráfico de drogas na Linha Internacional.

Outra execução de policial até hoje não totalmente esclarecida é de Anderson Celin Gonçalves da Silva, 36. Investigador lotado na delegacia de Jaraguari, foi assassinado e teve o corpo queimado em uma caminhonete no dia 21 de abril de 2016 em Bela Vista. Ele foi morto junto com o pistoleiro Alberto Aparecido Roberto Nogueira, 55, o “Betão”.

O investigador José Nivaldo de Almeida, 51, foi assassinado ao intervir numa troca de tiros em um bar perto de sua casa, em Tacuru, no dia 28 de junho de 2015. Lotado na delegacia de Polícia de Aral Moreira, Cláudio Roberto Alves Duarte, 39, foi morto ao tentar impedir um assalto em Ponta Porã na noite de 18 de março de 2015.

Marcílio de Souza, 51, perito papiloscopista lotado na delegacia de Paranhos, foi executado no dia 12 de fevereiro de 2014 dentro de uma lanchonete quando voltava da delegacia da Polícia Nacional do Paraguai após informar o furto de um trator em Sete Quedas.

O investigador da Polícia Civil em Tacuru Miguel Honorato Abreu Holsbach, foi morto 44 anos, no dia 1º de setembro de 2012. Ele estava em casa, assistindo TV com a esposa, quando dois homens armados invadiram a casa e atiraram no casal. Miguel morreu. Ferida com quatro tiros, a mulher sobreviveu.

Em 2016, após a morte de Chiquin Junior, moradores da região afirmam que vários policiais da fronteira pediram transferência para outras cidades. A informação nunca foi confirmada oficialmente.

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