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Interior

Associação denuncia prisão de policial militar reconhecido pelo bigode

Servidor federal diz que foi agredido em abordagem em Ponta Porã, mas PM não estaria presente na vistoria

Por Silvia Frias e Clara Farias | 27/04/2026 13:24
Associação denuncia prisão de policial militar reconhecido pelo bigode
PM preso estaria na base da PMR e não presente na vistoria, alega associação (Foto/Reprodução)

Investigação iniciada com denúncia de abordagem com uso de tortura terminou na prisão de dois policiais militares lotados em Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande. O caso resultou em nota de repúdio da Aspra-MS (Associação de Praças da Polícia Militar e Bombeiro Militar de MS) por conta do reconhecimento dos envolvidos, considerado equivocado.

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Dois policiais militares lotados em Ponta Porã foram presos após denúncia de abordagem com uso de tortura e ameaças feitas a um servidor público federal. A Aspra-MS emitiu nota de repúdio contestando o reconhecimento dos envolvidos, alegando que um dos PMs estava em serviço administrativo e foi identificado apenas pela característica de ter bigode. A defesa protocolou habeas corpus no TJMS.

De acordo com a associação, um dos militares não estava presente na abordagem e foi reconhecido de forma indireta, já que o denunciante falou que foi abordado por um "PM de bigode". O 3º sargento está preso desde o dia 1º de abril, no Presídio Militar de Campo Grande.

A abordagem denunciada aconteceu em março, perto do posto Aquidaban, base da PMR (Polícia Militar Rodoviária), por volta das 22h. Um servidor público federal, lotado em Brasília e que não teve o nome divulgado, foi parado por equipe do TOR (Tático Ostensivo Rodoviário).

A informação repassada pela Aspra é que o servidor teve o carro revistado após não dar informações consistentes sobre a viagem. Mas, depois da vistoria, foi liberado para seguir o trajeto.

O servidor denunciou a conduta dos policiais do TOR à Corregedoria da PM, dizendo que foi vítima de agressão e tortura, e um IPM (Inquérito Policial Militar) foi instaurado para apurar a conduta da equipe. No fim de março, a apuração foi arquivada por falta de provas.

De acordo com a Aspra, o servidor federal fez nova denúncia, alegando que foi vítima de ameaças feitas por telefone e por WhatsApp, e atribuiu isso aos policiais que o abordaram em Ponta Porã.

O IPM foi reaberto e foram feitas acareações por foto. Na investigação, foram listados os policiais militares que estavam de plantão naquele dia e fizeram a abordagem ao servidor. Mas, segundo a associação, por conta da descrição feita pelo servidor de que a ação truculenta teve participação de “policial de bigode”, o 3º sargento foi envolvido na situação, já que estava de plantão.

A associação alega que o 3º sargento estava de plantão, mas em trabalho administrativo, a metros de onde a abordagem foi realizada. Ele estaria dentro da base operacional e não teve contato com o servidor, além de estar fora do campo de visão dele.

“Ressalte-se que o associado não foi formalmente reconhecido pela suposta vítima, que se limitou a indicar, de forma genérica, a característica de uso de bigode. Ademais, o procedimento de reconhecimento revelou-se manifestamente irregular, pois o associado figurava como o único indivíduo com tal característica, o que compromete de forma significativa a lisura, a imparcialidade e a confiabilidade do ato”, alegou a associação, em nota de repúdio.

A associação alega que o PM que participou da apuração não foi identificado pelo denunciante, pois a foto apresentada a ele era de um período em que o militar estava sem o bigode.

No dia 29 de março, por conta das denúncias de ameaças, a Auditoria Militar decretou a prisão de dois PMs: um deles participou da ação e o outro, identificado pela característica física, estaria no setor administrativo da base. No dia 1º de abril, os mandados foram cumpridos.

A reportagem entrou em contato com a advogada Alana Oliveira, que representa os dois PMs presos, mas ela disse que o caso tramita em sigilo e não poderia comentar.

Nos documentos do comunicado de prisão que constam no sistema judiciário, a advogada contesta a decisão da Auditoria Militar. Diz que o mandado menciona apenas o enquadramento no artigo 344 do Código Penal, sem descrever quais condutas teriam sido praticadas nem apresentar elementos concretos que justifiquem a medida.

O referido artigo trata de "usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte ou qualquer outra pessoa que funcione ou seja chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo".

A defesa também sustenta que não há indícios de atuação conjunta entre os policiais investigados. Reforça que, embora pertençam ao mesmo batalhão, eles atuariam em equipes distintas e sem registro de ocorrências em comum, o que, segundo a argumentação, enfraquece a hipótese de atuação coordenada. Um habeas corpus foi protocolado no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

A reportagem entrou em contato com a PM para saber mais informações sobre a prisão dos militares e aguarda retorno para atualização do texto. Não foi possível entrar em contato com o servidor federal que fez a denúncia.

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