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Interior

Câmara salva mandato de vereador acusado de bater na mulher

Em votação secreta, apenas um vereador de Fátima do Sul foi favorável à cassação de Diego Carcará

Por Helio de Freitas, de Dourados | 24/05/2022 12:04
O vereador Diego Carcará durante passeio de barco; Câmara arquivou pedido de cassação. (Foto: Reprodução)
O vereador Diego Carcará durante passeio de barco; Câmara arquivou pedido de cassação. (Foto: Reprodução)

A Câmara de Fátima do Sul, cidade a 239 km de Campo Grande, “sepultou” o pedido de cassação do mandato do vereador Diego Candido Batista (PSD), o “Diego Carcará”, réu na esfera criminal por violência doméstica.

Em votação secreta e sob protesto de movimentos em defesa da mulher, o Legislativo arquivou o relatório da Comissão Processante instalada em março deste ano, favorável à cassação por quebra de decoro. A sessão chegou a ser interrompida aos gritos de “mulheres unidas jamais serão vencidas”.

Foram 8 votos pelo arquivamento, um voto nulo e apenas um voto pela cassação. O Campo Grande News tinha adiantado, mais cedo, que Diego Carcará seria absolvido graças a uma manobra arquitetada por caciques do grupo político do qual ele faz parte.

No segundo mandato, o vereador foi preso no dia 23 de janeiro deste ano acusado de bater na então esposa e enteada de 12 anos. Ele estaria bêbado, segundo depoimento da mulher à polícia. A briga começou após Diego derrubar o filho do casal, de um ano e oito meses. Ele teria usado um chinelo para agredir a adolescente e a esposa.

Corretor de imóveis bastante conhecido na região de Fátima do Sul, Diego passou 19 dias na prisão, 15 dos quais na Penitenciária Estadual de Dourados. Em fevereiro, ele foi solto por decisão do juiz da cidade, mas ficou impedido de frequentar bares e de se aproximar das vítimas.

No espaço destinado à defesa, o advogado Antônio Carlos Jorge Leite defendeu a tese de que o pedido de cassação apresentado em março pelos vereadores Nilsinho Construtor e Silvana Vasconcelos (ambos do MDB) era ilegal por ferir a Constituição. Segundo ele, a perda de mandato seria pré-julgamento, pois o processo criminal ainda tramita na esfera penal.

Ele também argumentou que Diego Carcará já foi punido pela Câmara com a suspensão do mandato e se fosse condenado, seria punido duas vezes pelo mesmo crime, “o que a lei não permite”. O vereador acompanhou a sessão, mas não se manifestou.

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