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Interior

Carga "monstra" de maconha citada por Bolsonaro leva 3 à condenação em MS

Quantidade recorde de droga apreendida num só dia gerou até elogio do presidente Bolsonaro ao DOF

Por Marta Ferreira | 10/06/2021 20:40
Policias do DOF na carreta bitrem lotada de fardos de maconha, em ocorrência do dia 26 de agosto de 2020. (Foto: Divulgação)
Policias do DOF na carreta bitrem lotada de fardos de maconha, em ocorrência do dia 26 de agosto de 2020. (Foto: Divulgação)

Trio flagrado no ano passado em Mato Grosso do Sul com a maior carga de maconha já apreendida no Brasil, avaliada em R$ 50 milhões, recebeu nesta semana condenação judicial a penas superiores a 18 anos de reclusão e, ainda, multa penal em torno de R$ 70 mil para cada um. Foram 33 toneladas da droga tiradas de circulação pelo DOF (Departamento de Operações de Fronteira), gerando até elogio do presidente Jair Bolsonaro em uma de suas lives semanais.

Os réus, Nilson Fernandes dos Santos Junior, 39 anos, Luciano Roberto Herrera, 46 anos, e Moisés Ramires de Souza Filho, 26 anos, foram condenados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Nilson foi responsabilizado ainda por desobediência, pois fugiu dos policiais militares do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), escapando pelo mato, ao ser abordado na área rural de Maracaju. Só foi capturado dois meses depois, em Nova Mutum, no Mato Grosso.

Nilson era o motorista da carreta bitrem carregada com fardos de maconha, segundo a acusação a partir da ocorrência policial e do trabalho investigatório da Polícia Civil que baseou a denúncia da promotoria. O veículo estava no nome dele e de um outro homem, que alegou ser seu patrão.

Os outros dois condenados atuaram como “batedores”, em outro carro.

Como foi - De acordo com a denúncia oferecida pela MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul)  no dia 26 de agosto de 2020, por volta de 14h, na estrada vicinal localizada entre a rodovia MS-166 e uma usina de álcool e açúcar, na zona rural do município, equipe do DOF fazia patrulhamento e parou caminhão dirigido por Nilson, que não obedeceu a ordem de parada e fugiu.

Houve perseguição, mas o motorista desembarcou do veículo e correu em direção ao mato, sumindo. Os policiais então vistoriaram o caminhão e localizaram fardos com tabletes de maconha, no total de 33,3 toneladas – a maior apreensão da substância até o momento no Brasil.

Pouco depois, os policiais identificaram veículo de passeio com os outros dois réus, na mesma estrada vicinal e no mesmo sentido da carreta apreendida com a maconha. O comportamento da dupla, demonstrando nervosismo, além das contradições, geraram suspeita. Diante da ação policial, acabaram confessando a participação no transporte da droga.

O juiz responsável, Marco Antonio Montagnana Morais, condenou os três réus por tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico. Um deles, Nilson, pegou pena também pela prática do crime de desobediência.

“Pela quantidade de droga apreendida e material probatório colhido na persecução penal, percebe-se claramente que os réus estavam associados de forma estável e permanente, uma vez que a atividade delitiva não se desenvolveu de um dia para o outro. Não resta dúvida quanto à existência de forte ânimo associativo entre os réus, com estabilidade e permanência para o fim de traficar drogas”, escreveu o magistrado.

Montagnana determinou a perda dos bens e valores apreendidos em favor da União. Os veículos vão ficar para o governo estadual.

A sentença é de primeiro grau e por isso ainda pode haver recurso nas instâncias superiores.

Como o processo corre em segredo de Justiça, não há detalhamento sobre a origem da droga ou se há suspeita se os três presos serviam a alguma organização criminosa do tráfico de drogas.



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