Com canal travado e via inundada, comunidade volta a ficar isolada no Pantanal
Camalotes impedem navegação e deixam caminho alternativo alagado na Baía do Castelo

Moradores da região da Baía do Castelo, a 100 km de Corumbá, voltaram a ficar isolados devido ao acúmulo de baceiros e camalotes no único canal navegável que dá acesso à localidade pelo Rio Paraguai. Com o bloqueio, as famílias enfrentam sérias dificuldades para acessar serviços essenciais, como saúde e educação.
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Moradores da Baía do Castelo, a 100 km de Corumbá, estão isolados novamente devido ao acúmulo de baceiros e camalotes no único canal navegável da região, pelo Rio Paraguai. Sem acesso fluvial, famílias enfrentam dificuldades para chegar a serviços de saúde e educação. A Defesa Civil informou que a limpeza é responsabilidade do DNIT, que não respondeu sobre a desobstrução até o fechamento da reportagem.
O fenômeno é recorrente durante o período de cheias no Pantanal. A obstrução ocorre pela concentração de vegetação aquática flutuante, composta por camalotes (aguapés), gramíneas e raízes, que formam ilhas densas capazes de trancar os trechos mais estreitos do curso d'água.
Sem a via fluvial, que tem cerca de 1,2 km de extensão, a rotina dos ribeirinhos foi drasticamente afetada, já que o caminho alternativo por trás da morraria também está alagado pela enchente. O produtor rural Oséias Araújo, morador da comunidade, relata que as crianças da região não estão conseguindo ir à escola, o que compromete o andamento do ano letivo dos estudantes locais.
“Fecha e aí não tem como as crianças irem estudar, e a escola fica cobrando que tem que levar. Também tem pessoas aqui que são idosas, que têm problemas de saúde. Quando tranca, fica difícil”, conta Oséias.
Segundo o morador, a situação tem se tornado mais grave com o estreitamento do canal navegável. “Agora ainda tem água, mas daqui a alguns dias, se essa água baixar e não tirarem essa vegetação, ela vai trancar de vez. Aí vai ficar pior do que tá agora”, completou.
A travessia por terra só é possível a cavalo ou de trator em trechos de brejo, o que inviabiliza o transporte de idosos e pessoas doentes devido ao nível da água. Como solução, o produtor rural aponta a necessidade de dragagem para alargar a boca do rio, evitando que o local fique totalmente travado quando o nível do rio baixar.
O morador relata que a boca da baía está assoreada e estreita (com menos de 100 metros), o que impede a passagem de ilhas de baceiro que chegam a ter até 200 metros de largura.
O superintendente da Defesa Civil de Corumbá, Silvanei Coelho, afirma que a gestão dos canais navegáveis é de competência do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e que a Prefeitura já solicitou o serviço para a localidade. Segundo ele, o órgão federal é o responsável pela limpeza e manutenção dos baceiros nas hidrovias.
Caminho alternativo
Em março de 2026, como mostrou o Campo Grande News, a comunidade abriu uma estrada improvisada de 8 km para contornar o bloqueio do canal, após ficar um mês sem acesso à cidade. Na época, a rota terrestre foi a única saída encontrada diante da alegação de inviabilidade técnica por parte do DNIT.
O trajeto emergencial, contudo, acabou sendo inundado com a subida recente das águas. Sem a via terrestre e com o canal tomado pelos baceiros, as famílias voltaram a ficar completamente ilhadas. Na ocasião anterior, o DNIT havia informado que a desobstrução da vegetação requeria águas altas, com riscos de não mover o baceiro e ainda causar danos aos equipamentos, alegando que o nível do rio no local encontrava-se abaixo da linha da cintura.
A reportagem voltou a questionar o DNIT sobre a desobstrução do canal, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para o posicionamento do órgão.

