Após 3h, equipes levam malotes e veículos de mansão na Antônio Maria Coelho
Operação cumpre 16 mandados de busca e investiga esquema que movimenta R$ 300 milhões
Após três horas, equipes da operação Perfume de Mulher, contra grupo que teria movimentado R$ 300 milhões em esquema de importação clandestina e distribuição de perfumes árabes, deixaram mansão na Rua Antônio Maria Coelho, Bairro Vivenda do Bosque, em Campo Grande, com dois malotes, dois sacos grandes, uma caixa de arquivo e dois veículos.
RESUMO
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A operação Perfume de Mulher cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco contra grupo suspeito de movimentar R$ 300 milhões com importação clandestina de perfumes árabes. Os produtos entravam pelo Brasil por Ponta Porã e eram distribuídos via redes sociais e marketplaces. O esquema envolvia notas fiscais fraudulentas, empresas de fachada e lavagem de dinheiro.
Dois homens estavam ao lado dos policiais, mas, conforme apurado, tratava-se das duas testemunhas, que de praxe acompanham os mandados de busca e apreensão.
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As equipes da Receita Federal e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPF (Ministério Público Federal) e do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) chegaram às 5h30 ao imóvel e saíram às 8h20.
Do lado de fora, a reportagem acompanhou toda a movimentação. Durante a ação, os agentes utilizaram uma escada para acessar o imóvel. Por volta de 7h30, a diarista chegou para a limpeza do casarão, que de tão grande precisa de uma semana para a faxina. Pouco depois, uma criança e uma senhora deixaram a mansão num veículo de aplicativo.
A operação apreendeu um SW4 e um Fiat Fastback. O advogado Renan Braz acompanhou os trabalhos, mas não quis dar entrevista.

No Bairro Monte Castelo, o mandado de busca e apreensão foi cumprido numa casa. As equipes levaram grande quantidade de perfumes, celulares e uma agenda. O material foi levado para o MPF. O advogado Bruno Fernandes acompanhou os trabalhos, mas não quis dar entrevista.
A ação cumpre 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. As apurações começaram a partir de apreensões realizadas entre os anos de 2024 e 2026. Em outubro de 2025, o flagrante resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões de perfumes importados irregularmente.
De acordo com as investigações, os perfumes, sobretudo da linha árabe, ingressavam clandestinamente no território nacional pela região de fronteira de Ponta Porã. Após a entrada irregular, as mercadorias eram armazenadas em depósitos clandestinos, inicialmente em Campo Grande e, posteriormente, em outros centros de distribuição sediados em São Paulo e Pernambuco.
A partir desses pontos, as mercadorias eram distribuídas para várias unidades da federação. As vendas eram realizadas principalmente por meio de redes sociais, shoppings virtuais (marketplaces) e plataformas de comércio eletrônico, havendo a participação de influencers para impulsionar a divulgação. Em um de seus sites, o grupo se intitulava “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil”, contando com inúmeras revendas no País.
Há indícios de que o grupo, para viabilizar o esquema, apresentava notas fiscais fraudulentas, com declarações de conteúdo falsas, e utilizava diversas pessoas jurídicas para conferir aparência de legalidade às operações comerciais. Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por intermédio de empresas de fachada, utilização de “laranjas”, ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados.
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