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Interior

Com quadro grave de covid, deputado ocupa vaga em UTI deixada por traficante

Robert Acevedo deu entrada em estado crítico em hospital de Asunción e foi para leito desocupado horas antes por Gringo González

Por Helio de Freitas, de Dourados | 16/02/2021 15:09
Deputado paraguaio Robert Acevedo, do Partido Liberal Radical Autêntico (Foto: Divulgação)
Deputado paraguaio Robert Acevedo, do Partido Liberal Radical Autêntico (Foto: Divulgação)

Em condição de saúde crítica por complicações da covid-19, o deputado paraguaio Robert Acevedo deu entrada na noite de ontem (15) na terapia intensiva do Instituto Nacional de Enfermidades Respiratórias na capital Asunción. Ele representa o Departamento (equivalente a Estado) de Amambay, que faz fronteira com Mato Grosso do Sul.

O político do Partido Liberal Radical Autêntico foi transferido ontem à tarde de uma clínica particular em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã (MS), a 323 km de Campo Grande.

Coincidentemente, ele está em leito de UTI que até ontem estava sendo ocupado por outro cidadão pedrojuanino, o traficante internacional de drogas Clemencio González Giménez, o “Gringo González”.

Gringo González foi preso no dia 22 de janeiro em Pedro Juan Caballero depois de passar duas décadas vendendo drogas na Linha Internacional sem ser importunado pela polícia do país vizinho.

Logo em seguida após ser levado para o presídio em Asunción, González foi diagnosticado com covid-19 e o quadro de saúde dele se agravou. Nesta segunda-feira, no entanto, o traficante apresentou melhora significativa e deixou o leito de UTI, agora ocupado pelo político da fronteira.

“Essa doença não escolhe nível, nem condição social. Uma pessoa custodiada recebeu alta ontem, permitindo a liberação de leito para que pudesse ser destinado ao parlamentar”, afirmou o médico Felipe González, diretor do hospital.

Segundo o médico, o acidente com a ambulância que transportava Robert Acevedo de Pedro Juan para a capital, ocorrido ontem à tarde na cidade de Santa Rosa del Aguaray, ajudou a agravar o quadro do deputado.

Felipe González disse que o problema respiratório de Acevedo era tão grave quando ele chegou que os médicos chegaram a acreditar que ele não resistiria às primeiras horas. Graças ao esforço da equipe durante a madrugada, ele continua vivo, mas em situação muito delicada, segundo o diretor. O hospital é especializado em doenças respiratórias.

Gringo González no dia em que foi preso, em Pedro Juan (Foto: Arquivo)
Gringo González no dia em que foi preso, em Pedro Juan (Foto: Arquivo)

Atentado – Em 2010, quando era senador, Robert Acevedo sobreviveu a atentado a tiros em Pedro Juan Caballero. Ele levou dois tiros e dois seguranças foram mortos. Acevedo e a polícia paraguaia acusaram a facção brasileira PCC (Primeiro Comando da Capital) após o político denunciar a presença da quadrilha na fronteira.

De família influente na política do Paraguai, Robert Acevedo também já foi governador de Amambay. O atual prefeito de Pedro Juan Caballero José Carlos Acevedo e o governador de Amambay Ronald Acevedo completam o clã dos irmãos Acevedo.

Em maio do ano passado, José Carlos teve de passar 15 dias em isolamento depois de descumprir medidas sanitárias e cruzar ilegalmente a fronteira para visitar parentes em Ponta Porã.

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