Creche particular é denunciada por maus-tratos e condições precárias
Mensagens relatam agressões e banhos gelados; polícia e Conselho Tutelar investigam o caso
RESUMO
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Creche particular em Nova Andradina, a 298 quilômetros de Campo Grande, é alvo de denúncias de maus-tratos e condições inadequadas de atendimento. Imagens encaminhadas à reportagem mostram crianças deitadas sobre placas de EVA espalhadas pelo chão, inclusive em momentos de descanso, além de registros de ambientes com sinais de desgaste.
Em uma das fotografias, várias crianças aparecem deitadas sobre o piso, enquanto carrinhos de bebê estão encostados junto à parede. Em outro registro, uma criança é vista deitada no corredor, sobre um pequeno travesseiro. O piso apresenta placas desgastadas, com trechos aparentando estar soltos ou danificados.
Também foram registrados berços utilizados no espaço. Uma das estruturas apresenta sinais de desgaste, enquanto outra aparece com colchão e lençol. As imagens mostram ainda um móvel onde são armazenadas mamadeiras, copos e outros objetos usados pelas crianças. No mesmo local aparecem produtos de limpeza e um forno de micro-ondas.
Outra fotografia mostra uma criança deitada em um colchão dentro de uma estrutura semelhante a um cercado. Nas imagens, também são visíveis paredes com marcas e sinais de desgaste.
As acusações chegaram ao conhecimento do Campo Grande News por meio de mensagens compartilhadas em grupos, nas quais pessoas relatam supostas situações de maus-tratos e condições inadequadas no espaço. Segundo uma das mensagens, uma menina teria sido agredida. “Hoje ela bateu em uma menina, coitada”, diz o relato. A mensagem também menciona puxões de cabelo e tapas na cabeça, além da afirmação de que a responsável teria dito que “na cabeça não fica marca”.

As mensagens compartilhadas nos grupos também relatam outras situações que, segundo os autores dos relatos, ocorreriam no local, como apertar as crianças, forçá-las a comer até vomitar e dar banho com água gelada.
“Imagina, uma coisa dessa não se faz com as crianças”, diz uma das mensagens. O relato afirma ainda que havia intenção de encaminhar as informações aos pais, mas que a pessoa não conhecia a maioria deles.
Em outro trecho das mensagens, é mencionado o caso de uma criança autista. Segundo o relato, a cueca do menino seria lavada no vaso sanitário. A mensagem também afirma que os lençóis dos berços não seriam trocados há anos e estariam “encardidos” e “mijados”.
Além das acusações relacionadas aos cuidados com as crianças, as mensagens compartilhadas nos grupos fazem relatos sobre as condições de trabalho no local. “E não paga as funcionárias”, diz um dos trechos. A pessoa afirma ainda que funcionárias que deixaram o espaço não teriam recebido os valores devidos.
Situação cadastral - Documentos obtidos pela reportagem mostram que o estabelecimento foi aberto em 8 de abril de 2022. Segundo consulta à REDESIM (Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios), o cadastro está inapto desde 17 de junho deste ano, com o motivo “omissão de declarações”.
O documento também registra o estabelecimento como empresário individual e microempresa. A situação cadastral apresentada, porém, não permite concluir isoladamente que o espaço estivesse proibido de funcionar, sendo necessário verificar eventuais licenças e autorizações específicas dos órgãos municipais responsáveis.
O caso é acompanhado pelo Conselho Tutelar e investigado pela Polícia Civil. Segundo o prefeito, Leandro Ferreira Luiz Fedossi (PSDB), a denúncia chegou ao conhecimento dele na sexta-feira (18). Conforme informado pela prefeitura, até o momento, as verificações realizadas pela Polícia Civil e pelo Conselho Tutelar não confirmaram as acusações apresentadas nas denúncias.
O local não está interditado, segundo a informação repassada à reportagem. A orientação é aguardar o andamento da investigação.
Em nota oficial, a Prefeitura de Nova Andradina esclareceu que o estabelecimento não possui vínculo com a Administração Municipal e não integra a Rede Municipal de Ensino.
Segundo o Município, trata-se de um estabelecimento particular destinado ao cuidado e à permanência temporária de crianças, mediante contratação direta pelas famílias. A prefeitura afirma que o local não é caracterizado como unidade educacional e, por isso, não está submetido ao acompanhamento pedagógico da Secretaria Municipal de Educação ou do Conselho Municipal de Educação nos moldes aplicáveis às instituições de ensino.
Ainda conforme a nota, assim que tomou conhecimento da denúncia, a prefeitura acionou os órgãos competentes, que adotaram as providências cabíveis dentro de suas respectivas atribuições e dos mecanismos da rede de proteção.
O Município afirmou também que permanece colaborando com os órgãos responsáveis pela apuração dos fatos.
A reportagem tentou contato com a proprietária do espaço por meio de mensagens e ligações telefônicas, mas não houve resposta até a publicação. O Campo Grande News mantém o espaço aberto para esclarecimentos e eventual manifestação sobre as denúncias.
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