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Interior

Dupla que furtou R$ 2 milhões de bancos em MS é condenada, mas fica livre

Método de furto era sofisticado, com uso de microcâmeras; em junho do ano passado, os dois levaram pelo menos R$ 142 mil

Por Geisy Garnes | 03/01/2020 06:36
Dispositivo eletrônico usado para captar a senha dos caixas (Foto: Reprodução)
Dispositivo eletrônico usado para captar a senha dos caixas (Foto: Reprodução)

Responsáveis pelo furto de pelo menos seis pontos de atendimento bancário e um prejuízo de R$ 2 milhões em Mato Grosso do Sul, Francisco Gilson Menezes Silva e Tiago Coelho Soares, de 31 e 25 anos, foram condenados no mês passado por levarem mais de R$ 142 mil de caixas eletrônicos de Bodoquena – cidade a 266 quilômetros de Campo Grande. O crime foi em junho do ano passado. A pena foi substituída por serviços sociais e os dois seguem em liberdade.

Para cometer os crimes, os suspeitos usavam microcâmeras para captar senhas e sequer precisavam arrombar os terminais eletrônicos. Após anos cometendo furtos pelo país, a dupla foi presa em Floriano, no interior do Piauí, apenas três dias depois de furtar caixas eletrônicos de Bodoquena.

O crime aconteceu em 7 de junho do ano passado. Francisco e Tiago instalaram um “minúsculo dispositivo eletrônico”, que funciona como uma câmera, em cima do teclado do caixa eletrônico. Com isso, conseguiram captar a senha de abertura do terminal, digitada pelo funcionário do banco durante a manutenção dos caixas.

Com a senha de acesso em mãos, aproveitaram a saída do gerente da unidade, abriram o terminal e fugiram com R$ 142.500,00. O Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) iniciou as investigações no mesmo dia e descobriu que a dupla usou um HB20 branco para sair da cidade.

Antes de saírem de Mato Grosso do Sul os suspeitos ainda tentaram furtar uma agência bancária no município de Juti – a 320 quilômetros da Capital. Só não conseguiram porque um funcionário encontrou o dispositivo eletrônico instalado no teclado antes do furto acontecer.

No dia 10 de junho, Francisco e Tiago foram parados em uma fiscalização da PRF (Polícia Rodoviária Federal) com o mesmo carro e acabaram flagrados com peças de metal com dispositivo eletrônico, uma lima e um saca rebite escondidos no forro do banco traseiro. No porta-luvas do carro, os policiais localizaram ainda as microcâmeras usadas para filmar a senha dos funcionários usadas nos caixas.

O Garras foi avisado da abordagem e os dois suspeitos presos no Piauí. Nos celulares apreendidos com eles, foram encontradas ainda fotos do dinheiro levado de Bodoquena.

Posto de atendimento do Bradesco em Bodoquena. (Foto: Ricardo Flores)
Posto de atendimento do Bradesco em Bodoquena. (Foto: Ricardo Flores)

Esquema em MS – A investigação da delegacia especializada mostrou que o crime em junho não era o primeiro cometido por Francisco e Tiago em Mato Grosso do Sul. A dupla agia no Estado há pelo menos três anos e seria responsável por um prejuízo de R$ 2 milhões neste período.

Os crimes, segundo a investigação, aconteciam sempre da mesma maneira. Os alvos eram escolhidos “cirurgicamente” e em sua maioria eram pontos de atendimento em municípios do interior, que não possuem sistema de monitoramento em tempo real.

Com a agência definida, Francisco e Tiago instalavam a microcâmera no teclado destinado apenas a funcionários e esperavam pelo dia da manutenção dos caixas. Quando conseguiram copiar o código, voltavam ao local, abriram os terminais e levavam o dinheiro. Os crimes só eram descobertos horas depois, já que nada era arrombado.

Ao longo de três anos, a polícia sul-mato-grossense identificou outros cinco furtos com as mesmas características. O primeiro aconteceu em janeiro de 2017, em Nioaque, de onde foram levados R$ 167 mil. Em março do mesmo ano o alvo foi um ponto de atendimento no centro de Juti e em abril uma unidade de Douradina. Dela, a dupla furtou R$ 214 mil.

Em 2 de fevereiro de 2019, os bandidos agiram novamente, desta vez em Três Lagoas. Seis caixas eletrônicos foram furtados na data. Três dias depois, foram para Costa Rica. “A soma ultrapassa mais de R$ 2 milhões”, afirmou o delegado Fábio Peró no relatório da investigação.

Depois dos furtos, depositavam o valor em várias contas diferentes para “pulverizar’ o dinheiro. Para a polícia, grande parte do dinheiro levado pelos bandidos era investido em novas ações, no deslocamento dos autores, na compra dos equipamentos e no pagamento de advogados para defender integrantes da quadrilha presos.

“Sem dúvida nenhuma que estamos diante de uma grande organização criminosa, totalmente especializada nesse tipo de ação, que sem utilização de violência, conseguem subtrair altíssimas quantias em espécie, e que atuam em diversos Estados, sempre com utilização moderníssimas tecnologias para a prática criminosa”, descreveu o delegado responsável pela investigação.

O julgamento – Francisco e Tiago foram presos preventivamente pelos crimes e por isso foram transferidos do Piauí para Campo Grande. No mês passado foram julgados e condenados por furto qualificado mediante fraude e concurso de pessoas. A pena foi de 2 anos de reclusão e multa de 10 dias-multas, em regime aberto.

Como a condenação foi menor que quatro anos, o juiz Alexsandro Motta substituiu a pena por liberdade em restritiva de direito. Os dois acabaram liberados com a condição de prestarem serviço à comunidade e pagarem um salário mínimo para a comarca de Miranda. Conforme a decisão, cada hora de tarefa equivale a um dia de condenação. Os dois estão em liberdade desde 12 de dezembro do ano passado.

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