Associações de juízes defendem no STF manutenção de "penduricalhos"
Ministro Flávio Dino determinou suspensão das chamadas verbas indenizatórias por prazo de 60 dias

O STF (Supremo Tribunal Federal)) recebeu nesta quarta-feira (11) pedido de associações que representam juízes, promotores, defensores públicos e membros de tribunais de contas para manter o pagamento dos penduricalhos que foram suspensos por determinação do ministro Flávio Dino.
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Associações que representam juízes, promotores, defensores públicos e membros de tribunais de contas solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a manutenção dos penduricalhos suspensos pelo ministro Flávio Dino. As entidades argumentam que todos os pagamentos realizados pelo Judiciário e Ministério Público estão amparados por lei. A decisão de Dino, que determinou a suspensão das verbas indenizatórias sem base legal nos Três Poderes em 60 dias, será julgada definitivamente pelo plenário do STF em 25 de fevereiro. Em Mato Grosso do Sul, apenas no Judiciário, esses benefícios somaram R$ 221,4 milhões em 2023, elevando o salário médio dos membros para R$ 97,2 mil, acima do teto constitucional de R$ 46,3 mil.
O pedido foi feito por 11 associações, que também pediram para participar do processo. Estão entre as entidades a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), a Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) e ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).
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Na semana passada, Dino concedeu liminar para determinar que as verbas indenizatórias que não têm base legal devem ser suspensas no prazo de 60 dias nos Três Poderes. Penduricalhos são benefícios financeiros concedidos a servidores públicos e que não cumprem o teto remuneratório constitucional, que é de R$ 46,3 mil.
No entendimento das entidades, todas os pagamentos que são realizados pelo Judiciário e Ministério Público estão previstos em lei ou em regras do CNMP (Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público).
“Está a se impor, no ponto, o acolhimento dos presentes embargos de declaração para, verificando que não tem havido pagamento a magistratura sem autorização prévia do CNJ, deixe de ser exigido dos tribunais a revisão dos atos normativos que concretizam os pagamentos previstos em lei”, afirmam as associações.
Mais cedo, o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) também defendeu no STF a manutenção dos penduricalhos.
O plenário do Supremo marcou para o dia 25 de fevereiro o julgamento definitivo da decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu o pagamento dos penduricalhos.
Judiciário - Em Mato Grosso do Sul, apenas no Poder Judiciário, as vantagens pecuniárias pagas por participação em comissões, reuniões, produtividade ou até acúmulo de serviços chegaram a R$ 221,4 milhões no ano passado, segundo dados do Transparência Brasil. No mesmo período, o salário final dos membros do Judiciário Estadual, por mês, foi R$ 58,5 mil maior, transformando o salário base de R$ 38,7 mil em uma remuneração líquida média de R$ 97,2 mil. Esse valor está bem acima do teto constitucional, que é de R$ 46,3 mil (equivalente ao vencimento de um ministro do Supremo).
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