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Interior

Dupla que usou criança como escudo planejava vingança a mando do PCC

Facção trava guerra com bandidos da oposição e mandou executar rivais após a morte de três de seus membros em Dourados

Por Helio de Freitas, de Dourados | 09/04/2020 10:59
Bandidos presos ontem à noite após tentar matar rival de facção criminosa para vingar companheiros (Foto: Adilson Domingos)
Bandidos presos ontem à noite após tentar matar rival de facção criminosa para vingar companheiros (Foto: Adilson Domingos)

Rogério Aparecido de Jesus, 25, o “Careca”, e Giovani Mendes da Fonseca, 27, o “Chocolate”, presos na noite de ontem (8) em Dourados, a 233 km de Campo Grande, após tentarem matar Cícero Matias da Silva Júnior, o “Pantera”, 24, agiram a mando da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Pelo menos outros três alvos estavam na mira da dupla e também seriam eliminados na noite passada.

O Campo Grande News apurou que a facção criminosa deu a ordem a Rogério e Cícero para vingar as mortes de três de seus integrantes, ocorridas domingo (5) no Jardim Canaã I e segunda-feira (6), no Parque das Nações.

Após atirarem em “Pantera”, que foi atingido por três disparos e está hospitalizado, os dois se refugiaram na casa da tia de Geovani, no Jardim Itália, onde foram presos pelo SIG (Setor de Investigações Gerais) da Polícia Civil.

Quando os policiais cercaram a casa, Geovani chegou a usar a prima, de 9 anos de idade, como escudo. Na delegacia, a mãe da menina contou o drama enfrentado pela filha, colocada na mira de uma pistola pelo próprio primo.

Veja o vídeo com o depoimento da mulher e imagens dos presos:

Segundo fontes policiais, a facção originada nos presídios de São Paulo, mas que atualmente no país inteiro e também nos vizinhos Paraguai e Bolívia, está em guerra com a chamada “oposição”, formada por inimigos da quadrilha.

O conflito sangrento ocorre há vários meses no submundo do crime na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul e só neste ano já deixou pelo menos sete mortos e vários feridos.

A guerra se intensificou em fevereiro deste ano, quando o PCC teria ordenado a execução de três integrantes da oposição. Moacir dos Santos Quevedo, 43, o “Langão”, foi morto na noite de 22 de fevereiro ao lado de um carrinho de lanche na Vila Erondina.

Três dias depois, Michel Carlos de Oliveira Barbosa, 18, foi morto a tiros quando seguia a pé pelo Jardim Independência. O amigo dele Willian dos Santos Leite, 20, foi ferido, mas sobreviveu.

No dia 4 de março, os pistoleiros do PCC tentaram matar outro opositor, Gleison Galdino de Souza, 20. Sequestrado em casa, no Jardim Jóquei Clube, ele foi levado até uma matinha na Linha do Potreirito, alvejado com três tiros e deixado para morrer.

Atingido no pescoço, na nunca e na perna, Gleison conseguiu se arrastar até pedir socorro a um ciclista que passava pelo local. Quando era socorrido, ele acusou o PCC pelo crime e disse que tinha dívida com a facção criminosa.

Retaliação – Para vingar os comparsas mortos e feridos, a oposição do PCC partiu para o ataque. Na noite de domingo passado, pistoleiros de moto mataram a tiros de pistolas 9 milímetros Ricardo Pereira de Souza, 36, e Luciano Deunizio Chagas, 30, no Jardim Carisma, ao lado do Jardim Canaã I, região norte da cidade.

Na noite seguinte, três bandidos encapuzados invadiram uma quitinete no Parque das Nações I, na região leste, e executaram Everton Jonatas de Oliveira, 32, com pelo menos 30 tiros de pistolas 9 milímetros. Assim como os dois mortos no domingo, Everton, oriundo de São Paulo, seria membro do PCC.

A reportagem apurou que os ataques planejados para ontem seriam novo capítulo da guerra, para vingar os três “parceiros” mortos no início da semana. O PCC teria recebido apoio de gente de fora para retaliar os opositores. Entretanto, a polícia descobriu o plano e ontem, logo após o primeiro ataque, encurralou e prendeu dupla antes que os outros três alvos fossem eliminados.