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Interior

Em pânico após morte de inocentes, população não quer sair de casa

Conforme comandante da PM, policiamento foi reforçado e infelizmente, briga na cidade é de "cachorro grande"

Por Lucia Morel | 17/03/2024 12:18

Assustada e em pânico. A cidade de Sonora, a 362 Km de Campo Grande e com 14,5 mil habitantes está perturbada com a guerra de facções que se instalou por lá e matou, na última sexta-feira, um jovem de 21 anos e um professor de Educação Física, de 49. Dois suspeitos já foram presos e ao que as investigações indicam até o momento, nem o estudante João Vitor Oliveira de Souza nem o docente, Jair Ferreira Jara eram alvos dos tiros que os mataram.

Presidente do Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Sonora), ligado à Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação do Mato Grosso do Sul), Edna Maria Soares da Silva, de 62 anos, conta que a sensação é de medo, principalmente entre pais e mães que temem mais mortes em escolas ou locais frequentados pelos estudantes da cidade.

Em meio à população geral, Edna fala que também há o temor de sair de casa e ir até uma pizzaria ou praça. “A gente nunca sabe se algum alvo dessas facções vai estar por perto e a gente acaba ficando refém disso”, lamentou.

Armas usadas em assassinatos foram apreendidas. (Foto: Divulgação 5º BPM)
Armas usadas em assassinatos foram apreendidas. (Foto: Divulgação 5º BPM)

Segundo ela, existe até uma lista de nomes de quem deve ser assassinado e isso geram ainda mais pânico. “Sonora sempre foi uma cidade tranquila, calma. Desde que vim de Presidentes Prudente (SP) sempre foi tranquilo morar aqui. Mas de uns três ou quatro anos pra cá essa guerra de facções começou, dizem que é entre PCC e Comando Vermelho, estão aliciando nossos jovens e tem muita violência”, contou.

Segundo ela, como as opções de lazer ou capacitação são escassas na cidade, e os adolescentes se tornam alvos fáceis das dos grupos criminosos. Assim, obedecem os esses grupos ordenam e cometem os crimes.

“As gangues de Rondonópolis vieram pra cá e infelizmente nossos jovens acabam bebendo muito pela falta de opções e ainda vem o PCC prometendo mundos e fundos para eles, numa idade que eles não têm maturidade para ler as consequências das decisões e acabam se envolvendo mesmo. Os meninos se envolvem imaturamente sem saber o que vem amanhã”, relatou.

Os presos suspeitos dos assassinatos são João Pablo Kataguiri, de 18 anos, e Wanderson Ferreira Alves, de 26, suspeitos, ambos com passagens por tráfico de drogas.

Guerra de facções – Este último assassinato na cidade é o terceiro neste ano. Todos teriam sido motivados pela guerra das facções PCC e Comando Vermelho. Em 8 de janeiro, Ruan Henrique Lima, de 22 anos, conhecido como "Dom Juan" foi morto e exerceria papel de "apoio geral da cidade" para o PCC. Também chamado de “Lacoste", ele tinha 11 ocorrências criminais registradas em seu nome como furto, furto qualificado, porte ilegal de arma de fogo, tráfico de drogas e receptação.

Já em 24 de janeiro, a  vítima foi o dono de uma pizzaria na cidade que teria sido morto por engano e os assassinos estava atrás de um funcionário do local. Tiago Valdecir Sandrin, de 38 anos, recebeu diversos tiros e morreu no local. No mesmo dia, homem conhecido como “Sem Fronteiras”, foi morto neste domingo em confronto com a Polícia Militar durante as buscas pelo suspeitos de envolvimento na execução do empresário.

Segundo o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar em Coxim, responsável pela área de Sonora, Adriano Rodrigues de Oliveira, que é tenente-coronel, informou que a o cenário atual é “briga de cachorro grande” e que desde sexta-feira, quando ocorreram as mortes do estudante e do professor, o policiamento aumentou para que a população se sinta mais segura.

“Dois inocentes perderam a vida, infelizmente, e então o comando reforçou a atuação com viaturas do Choque e do Bope, mas sabemos que essa briga de facções vai longe, é um problema que independe da nossa atuação, porque eles vão continuar brigando pelo controle em Sonora”, disse.

Segundo o comandante, a cidade está no meio do fogo cruzado porque “ali é uma intersecção de interesse dos dois grupos, é uma área de interesse comum, bem na divisa com Mato Grosso”, descreve. Há ainda previsão de operação futura na região, mas sem data marcada até o momento.

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