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Empresário ligado a futebol é principal suspeito de enviar cocaína à Europa

Dirigente do Olimpia é dono da indústria que fabrica tinta usada para esconder droga

Por Helio de Freitas, de Dourados | 26/02/2021 16:46
Agentes da Senad em fábrica de tinta usada para esconder cocaína (Foto: Divulgação)
Agentes da Senad em fábrica de tinta usada para esconder cocaína (Foto: Divulgação)

Empresário de 37 anos é o principal suspeito de comandar o esquema bilionário de envio de cocaína do Paraguai para a Europa em latas de tinta de parede. Diego Isaac Benitez Cañete também é ligado ao Olimpia, um dos três principais times de futebol do Paraguai e dono de três títulos da Libertadores.

Na quarta-feira (24), 16 toneladas da droga foram apreendidas no porto de Hamburgo na Alemanha e outras sete toneladas no porto de Antuérpia, na Bélgica.

A cocaína apreendida na Alemanha estava em 1.728 latas de 18 litros de tinta da marca Fox Colors, produzida e exportada pela empresa Pinturas Tupá S.A., pertencente a Diego Benitez. Em sua página na internet, a Tupá informa que exporta para a Europa e para o Brasil.

A promotora antidrogas Elva Cáceres confirmou que Diego Benitez está sendo investigado como o principal suspeito de despachar a cocaína escondida nas latas de tinta. Segundo ela, outras três empresas onde ocorreram buscas no mesmo dia da apreensão também pertencem à família de Diego.

Ontem, agentes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) encontraram 22.230 litros de produto químico usado no refino de cocaína. Os 117 tambores estavam em um galpão da empresa Cartopar S.A, em Mariano Roque Alonso, cidade vizinha de Asunción, a capital do Paraguai.

O empresário Diego Isaac Benitez Cañete (Foto: Reprodução)
O empresário Diego Isaac Benitez Cañete (Foto: Reprodução)

A Cartopar é uma das subsidiárias da Pinturas Tupá, responsável em fabricar as latas usadas para envasamento da tinta. Apesar de também ser usado na fabricação de tinta, o produto foi apreendido porque estava armazenado de forma irregular.

Elva Cáceres disse que as suspeitas recaem sobre o empresário pelo fato de ser muito difícil que os 13.824 pacotes de cocaína apreendidos na Alemanha tenham sido colocados nas latas de tinta durante a viagem marítima ou no porto de Buenos Aires (Argentina), como alegou a empresa em comunicado oficial, na quarta-feira.

Segundo a promotora, os contêineres saíram do porto de Villeta no Rio Paraguai no dia 13 de janeiro deste ano e a única parada foi no porto argentino. Ontem à noite, Diego renunciou ao cargo que ocupava na comissão diretora do Olimpia.

A Senad e o Ministério Público do Paraguai ainda investigam se as sete toneladas de cocaína apreendidas na Bélgica têm ligação com a rota paraguaia. A droga estava em blocos de madeira que saíram do Panamá, mas o importador das duas cargas foi a mesma pessoa, um holandês de 28 anos que está preso.

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