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Interior

Escravizado, casal dormiu em chiqueiro, não tinha comida e bebia água de rio

Produtor rural que explorava o casal tem mil cabeças de gado em seu patrimônio

Por Adriano Fernandes | 16/05/2022 23:18
Barracos onde as vítimas moravam. (Foto: Polícia Civil)
Barracos onde as vítimas moravam. (Foto: Polícia Civil)

Um casal que vivia em condições análogas à escravidão em uma fazenda na beira do Rio Paraguai, foi resgatado nesta segunda-feira (16) por investigadores do SIG (Setor de Investigações Gerais) de Corumbá. O homem, de 38 anos e a esposa, de 23 anos, viviam em condições precárias de moradia e de trabalho, tinham comida escassa, sem água potável ou pagamento.

Aos policiais, as vítimas contaram que trabalhavam no rancho há pouco mais de dois meses. Eles foram contratados por uma empreita, pelo valor de R$ 60,00 por hectare de terra roçada, mas apesar de estarem trabalhando no local há mais de dois meses, não tinham recebido qualquer valor em pagamento pelo trabalho realizado.

Chiqueiro onde as vítimas chegaram a dormir. (Foto: Polícia Civil)
Chiqueiro onde as vítimas chegaram a dormir. (Foto: Polícia Civil)

Além de não terem recebido salário, o casal já estaria com uma dívida de mais de R$ 2 mil com o patrão, equivalente ao valor da comida, que raramente era levada ao casal.

No primeiro mês em que chegaram ao local, ainda conforme as vítimas, eles teriam dormido dentro do chiqueiro dos porcos, um local feito de apenas algumas tábuas de madeira, sem paredes ou piso, vulnerável a chuvas, vento, frio, sol e entrada de animais.

No barraco onde eles estavam vivendo atualmente, também não havia água encanada, sendo que o casal bebia água diretamente do rio. No local, não havia banheiro, vaso sanitário ou chuveiro, o que obrigava eles a fazerem as necessidades fisiológicas no mato ou em uma bacia improvisada. O banho era feito com água do rio trazida em uma bacia.

Sobre a alimentação, foi relatado que os filhos do patrão levavam comida, mas que a mesma era descontada do salário. O alimento nem sempre era fornecido, e por este motivo, eles dependiam, muitas vezes, de doações dos vizinhos para se alimentarem. As vítimas ainda dependiam do transporte dos patrões até a cidade em barco, o que raramente ocorria.

O rancho onde o casal foi socorrido pertence a um homem, de 63 anos, que possui um patrimônio de mais de mil cabeças de gado. Diante da situação em que o casal vivia, os policiais resgataram as vítimas e o delegado de polícia Nicson Lenon ainda efetuou a prisão em flagrante de três pessoas, sendo pai e dois filhos donos da propriedade. O resgate teve o apoio da PMA (Polícia Militar Ambiental).

Grave - MS é o 3º Estado com mais resgates de trabalhadores "escravizados" em 2022. Foram 22 vítimas registradas de janeiro até 13 de maio em todo o Estado, conforme os dados divulgados pela Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho e Previdência.

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