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Campo Grande, Quarta-feira, 18 de Julho de 2018

12/07/2018 14:18

Estradas em boas condições na cheia favorecem turismo e pecuária

José Cruz
Estrada Parque: ponte e estrada recuperadas na MS-184 facilitam o turismo na região. (Fotos Lucimar Couto)Estrada Parque: ponte e estrada recuperadas na MS-184 facilitam o turismo na região. (Fotos Lucimar Couto)

O turismo e a atividade pecuária estão em franca movimentação no Pantanal da Nhecolândia, em Corumbá, onde a cheia atípica desse ano já começa a dar vazão e os campos surgem floridos e com oferta de alimentos para os bichos e o gado. A manutenção dos principais acessos rodoviários à região – as MS-184 e MS-228 -, pelo Governo do Estado, garante o fluxo de visitantes e o suprimento das fazendas, mesmo com áreas ainda inundadas.

Segundo o sindicato rural do município, a trafegabilidade nas rodovias, que se tornavam intransitáveis na enchente, manteve o calendário dos leilões realizados na região, permitindo a capitalização do produtor. O maior deles, o Novo Horizonte, comercializará cinco mil animais no dia 28 de julho. “Os leilões continuam porque o acesso não foi interrompido e existe transporte para os animais”, disse o presidente da entidade, Luciano Leite.

As duas rodovias de revestimento primário formam a Estrada-Parque, um dos principais destinos de ecoturismo de Mato Grosso do Sul. São 120 km, entre os entroncamentos da BR-262 com o Buraco da Piranha e o Lampião Aceso, com mais de 70 pontes de madeira sobre vazantes. A estrada ecológica integra unidade de conservação criada em 1993, e em sua borda se instalou uma bem estruturada rede de hotéis, pousadas, pesqueiros e áreas de camping.

Trafegar o ano todo

Com influência dos transbordamentos dos rios Taquari, Aquidauana, Miranda e Abobral, a região inunda mais cedo, em relação a cheia causada pelo Rio Paraguai, e o maior volume de água já baixou, período ideal para fazer turismo de observação de animais. Um passeio de carro pela Estrada-Parque é a oportunidade para presenciar uma onça-pintada cruzando a via.

É época de acasalamento e o felino, animal solitário, se expõe mais à procura do parceiro.

MS-228 parcialmente inundada no Porto da Manga, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.MS-228 parcialmente inundada no Porto da Manga, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

Para os criadores de gado, os impactos da cheia foram minimizados com as boas condições de tráfego. O presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Luciano Leite, afirmou que os serviços de manutenção contínua das estradas e pontes contribuíram para sustentação dos níveis de produção e comercialização, cuja queda nesse período, em decorrência da falta de acesso em anos anteriores, era significativa. “O transporte era um dos grandes gargalos”, apontou ele.

A Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) atua mensalmente nas MS-184 e MS-228, restaurando as vias ou reformando as pontes. Ao longo do único entroncamento de acesso à região, observa-se a qualidade da pista e das estruturas de madeira. O empresário de turismo e gestor da Estrada-Parque, João Venturini Junior, está preocupado com o excesso de velocidade e sugere a instalação de lombadas para evitar acidentes e mortes de animais.

João Venturini Junior, gestor da Estrada ParqueJoão Venturini Junior, gestor da Estrada Parque

“A estrada nunca esteve tão boa e as pessoas tem exagerado na velocidade”, diz ele. “Em outras épocas, tínhamos que contar com a sorte para chegar aqui quando chovia, hoje está às mil maravilhas, não temos o que reclamar”, acrescenta Venturini. “Estamos num período ideal para observação de animais, com a fartura de alimentos carreados pela cheia, e a estrada conservada nos permite oferecer e entregar o melhor ao turista”, completou.

Cheia é um atrativo

Pelo menos 30 km da MS-228, entre a Curva do Leque e Corumbá, estão ainda submersos com o transbordamento do Rio Paraguai no distrito de Porto da Manga, destino de pesca esportiva. A Agesul suspendeu o serviço de balsa no rio e os pesqueiros estão fazendo o translado de seus clientes por meio de lanchas até onde é possível chegar em carros traçados. As águas estão baixando, mas em alguns trechos atinge mais de meio metro acima da pista.

Evandro Monaco, dono de pesqueiro no Porto da MangaEvandro Monaco, dono de pesqueiro no Porto da Manga

“A cheia não afetou o turismo, tem muito peixe e a água já baixou 30 centímetros”, comentou o empresário Evandro Mônaco. Essa semana ele cruzou a rodovia alagada em sua camionete para buscar combustíveis em Corumbá para seus barcos, percorrendo 120 km a mais do trajeto normal em período de seca. Ele contou que os pesqueiros montaram uma base de apoio no Rio Negro, próximo à Manga, para fazer o translado dos pescadores.

A concentração de água na MS-228 é um empecilho, contudo torna-se um ponto de atração para os observadores de bichos. Capivaras, cervos, porcos do mato e uma infinidade de aves, como tuiuiús, garças e cabeça seca, podem ser avistados, na pista ou nos banhados. O guia Paulo Henrique, 41, da Pousada São João (MS-184), explicou que a ocorrência de animais e bichos é maior nessa época do ano por conta da fartura de alimentos e ciclo reprodutivo.

Guia de turismo Paulo HenriqueGuia de turismo Paulo Henrique

“A onça-pintada anda agitada, dando esturros ao anoitecer, e os turistas tem visto ela com frequência na beira da estrada durante os safaris”, observa Paulo Henrique, que atua na área há 18 anos. A Estrada-Parque é uma das regiões do Pantanal com maior concentração de felinos e a Pousada São João, que tem atividade pecuária, participa de projetos de conservação da onça. “Aqui ela prefere o jacaré e a capivara ao boi”, diz João Venturini, proprietário.




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