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Estudo recomenda lockdown por 14 dias em Dourados

Relatório foi feito por pesquisadores da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e de outras três universidades do país

Por Adriano Fernandes e Helio de Freitas | 10/07/2020 22:57
Gráfico com os níveis de alerta de contenção ao vírus. 
Gráfico com os níveis de alerta de contenção ao vírus.

Um novo relatório feito por pesquisadores da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e de outras três universidades do país recomenda que Dourados adote o lockdown, diante do número crescente de infectados na cidade.

Em Dourados a taxa de contaminações é de 2.567 por 100 mil. A segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul segue recordista em mortes, são 47. Até esta sexta-feira (10) há 3.280 pessoas infectadas com a doença no município.

De acordo com o relatório técnico de alerta COVID-19, Dourados alcança os maiores indicadores de morbimortalidade, que é a soma de indicadores compostos de morbidade, mortalidade e de aumento da taxa de incidência de covid-19. A cidade atinge o índice 5,21 de gravidade.

Ainda segundo o relatório, que foi feito a pedido da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, o fechamento total da cidade deveria ser adotada por pelo menos 14 dias “associada a todas as demais medidas de prevenção, podendo ser reavaliada sua eficácia, o cumprimento do mesmo por parte da população, a respectiva fiscalização e o comportamento da curva de contaminação e de número de óbitos, bem como todos os indicadores e taxas aqui apresentados”.

O documento enfatiza a necessidade de severas medidas de prevenção também nas 11 cidade que compõem a microrregião de saúde de Dourados.

Índice de Morbimortalidade por COVID-19, Níveis de Alerta e Procedimentos Básicos para o Enfrentamento à Pandemia.
Índice de Morbimortalidade por COVID-19, Níveis de Alerta e Procedimentos Básicos para o Enfrentamento à Pandemia.

O trabalho foi realizado por especialistas da UFOB (Universidade Federal do Oeste da Bahia), UFBA (Universidade Federal da Bahia) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apresentados pelos pesquisadores em videoconferência à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, nesta quinta-feira (09).

A equipe de pesquisadores é o mesmo que apresentou o estudo sobre a possibilidade de as mortes dobrarem em duas semanas na cidade. Contudo, o índice dobrou antes do estimados pelos especialistas.

“Construímos os níveis de alerta para orientar a tomada de decisão dos gestores com o objetivo de adotar medidas e procedimentos básicos de prevenção de agravos à saúde, colapso do SUS e sua rede complementar e redução de mortes evitáveis”, explicou Adeir Archanjo da Mota, doutor em Geografia pela Universidade Estadual Paulista e professor da UFGD, líder do Grupo de Pesquisa Saúde, Espaço e Fronteira(s), dedicado a estudos da Geografia da Saúde.

Modesta - A curva de contaminação da cidade de Dourados tem mostrado que as medidas adotadas pelas autoridades sanitárias do município, bem como a efetiva fiscalização do cumprimento dessas medidas, são, até então, modestas e não têm apresentado resultado proporcional para a contenção da doença.

A análise científica realizada evidenciou que Dourados concentra todos os indicadores considerados na pesquisa no nível mais elevado de classificação. Além disso, o alerta mostra que a microrregião de saúde de Dourados e o município de Maracaju também apresentam, conforme se observou no documento, situação crítica e, pelos fortes níveis de interações espaciais com a capital da região sul do estado, Dourados agrava ainda mais a situação de contenção da doença.

Para todos os municípios que compõem a microrregião de Dourados e para Maracaju, o grupo sugere a implementação de barreiras sanitárias em todos os acessos às respectivas cidades para restringir a circulação do novo coronavírus entre os municípios.

“Só tiveram êxito na contenção da doença as cidades e os países que, ao alcançarem determinados níveis, decretaram lockdown. No curto prazo, compreendemos que a medida de lockdown pode soar como uma medida impactante para alguns. Mas a medida recomendada tende a preservar vidas, o sistema de saúde, bem como refletir positivamente na retomada da economia a médio e longo prazo”, esclareceu Archanjo da Mota.