ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
JULHO, QUARTA  17    CAMPO GRANDE 27º

Interior

Fazendeiros de MS e dono do Shopping China são denunciados no Rio

MPF acusa Antonio Mota, a mulher dele, Felipe Cogorno e ex-presidente do Paraguai de integrar rede crimes de Dario Messer

De Dourados | 20/12/2019 15:31
Os ponta-poranenses Antonio Mota e a mulher Cecy estão entre os 19 denunciados hoje pelo MPF (Foto: Arquivo)
Os ponta-poranenses Antonio Mota e a mulher Cecy estão entre os 19 denunciados hoje pelo MPF (Foto: Arquivo)

O fazendeiro sul-mato-grossense Antonio Joaquim da Mota, o “Tonho”, e a mulher dele Cecy Medes Gonçalves da Mota, estão entre as 19 pessoas denunciadas ontem (19) pelo MPF (Ministério Público Federal) no Rio de Janeiro no âmbito da Operação Patrón.

Celebridades da sociedade de Ponta Porã, onde moram, Antonio da Mota e Cecy são acusados de fazer parte da rede internacional de crimes comandada por Dario Messer, conhecido como doleiro dos doleiros. Tonho está preso desde novembro e Cecy saiu da cadeia na semana passada, após pagar fiança de R$ 250 mil.

Outra celebridade da fronte incluída na denúncia está Felipe Cogorno Alvarez, diretor do Grupo Cogorno, dono do Shopping China, maior loja de importados da América Latina, localizado em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã. Cogorno também teve a prisão decretada em novembro pelo juiz da Lava Jato no Rio, Marcelo Bretas, mas não foi preso porque permanece em território paraguaio.

A denúncia também inclui o ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes, amigo e apontado pela Polícia Federal como sócio de Dario Messer. A forma como o doleiro se referia a Cartes – “Patrón” – foi o nome dado à operação.

Na denúncia apresentada à 7a Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, a força-tarefa da Lava Jato no Rio pediu a condenação de 11 brasileiros, sete paraguaios e um uruguaio, além de Messer, naturalizado paraguaio.

O casal de Ponta Porã, Felipe Cogorno, Cartes e os outros 16 denunciados são acusados de formar organização especializada em lavagem de dinheiro e outros crimes que operava pelo menos desde os anos 2000.

“A organização comandada por Messer vinha praticando câmbio ilegal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro a partir dos países de origem de seus integrantes. Deflagrada em 19 de novembro, a Operação Patrón aprofundou as investigações da Lava Jato/RJ nas operações ilícitas do grupo de Messer em países do Mercosul”, afirma a denúncia.

Em 211 páginas da denúncia, o MPF apontou 17 fatos criminosos cometidos pela organização desde 2011 e alguns crimes não cessaram mesmo após a prisão de Messer, em julho deste ano, em São Paulo.

Para os 11 procuradores da Lava Jato no Rio, o ramo da organização de Messer no Paraguai era tão poderoso “que lhe permitiu continuar a ocultar grandes somas de dinheiro ilícito (cerca de US$1,5 milhão foi movimentado) e financiar sua fuga. As tarefas eram divididas entre os membros do grupo, que o MPF identificou com três núcleos especializados”.

O ex-presidente Cartes fazia parte do núcleo político. Segundo a denúncia, ao menos entre maio de 2018 e julho de 2019, período em que Messer ficou foragido, Cartes intercedeu por ele, apesar das ordens de prisão nos dois países.

Segundo o MPF, a participação de Cartes na organização foi demonstrada por seu financiamento de US$ 500 mil ao doleiro foragido. Esse valor foi ocultado pelo empresário Antonio Joaquim da Mota até sua entrega a Myra Athaide, companheira de Messer.

Felipe Cogorno Alvarez, dono do Shopping China, foi denunciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro (Foto: Arquivi)
Felipe Cogorno Alvarez, dono do Shopping China, foi denunciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro (Foto: Arquivi)

Todos os denunciados

1. Dario Messer - Organização criminosa, Câmbio ilegal, Evasão de divisas, Lavagem de dinheiro

2. Najun Azario Flato Turner – Organização criminosa, Câmbio ilegal, Evasão de divisas, Lavagem de dinheiro

3. Lucas Lucio Mereles Paredes – Organização criminosa, Câmbio ilegal, Evasão de divisas, Lavagem de dinheiro

4. Roque Fabiano Silveira – Organização criminosa, Lavagem de dinheiro

5. Filipe Arges Cursage – Organização criminosa, Lavagem de dinheiro

6. Luiz Carlos de Andrade Fonseca – Organização criminosa, Lavagem de dinheiro

7. Valter Pereira Lima – Organização criminosa, Lavagem de dinheiro

8. Horácio Manuel Cartes Jara – Organização criminosa

9. Myra de Oliveira Athayde – Organização criminosa, Lavagem de dinheiro

10. Antonio Joaquim da Mota – Organização criminosa, Lavagem de dinheiro

11. Cecy Medes Gonçalves da Mota – Organização criminosa

12. José Fermin Valdez Gonzalez – Organização criminosa, Evasão de divisas, Lavagem de dinheiro

13. Felipe Cogorno Alvarez – Organização criminosa, Lavagem de dinheiro

14. Edgar Ceferino Aranda Franco – Organização criminosa, Lavagem de dinheiro

15. Jorge Alberto Ojeda Segovia – Organização criminosa, Evasão de divisas, Lavagem de dinheiro

16. Alcione Maria Mello de Oliveira Athayde – Organização criminosa, Evasão de divisas, Lavagem de dinheiro

17. Arleir Francisco Bellieny – Organização criminosa, Evasão de divisas, Lavagem de dinheiro

18. Roland Pascal Gerbauld – Organização criminosa, Lavagem de dinheiro

19. Maria Letícia Bobeda Andrada – Organização criminosa

Nos siga no Google Notícias