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Campo Grande, Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019

14/10/2019 14:12

Guarda recolhe escopetas e investiga morte com munição antimotim

Homem de 35 anos morreu após ser atingido por dois tiros de munição de polietileno e dois disparos de arma elétrica

Helio de Freitas, de Dourados
Guardas e policiais ao lado do corpo, sábado, na Vila Cachoeirinha, em Dourados; corporação vai abrir sindicância para investigar o caso (Foto: Adilson Domingos)Guardas e policiais ao lado do corpo, sábado, na Vila Cachoeirinha, em Dourados; corporação vai abrir sindicância para investigar o caso (Foto: Adilson Domingos)

O comando da Guarda Municipal abriu procedimento interno para apurar a morte de Elcindo Alexandre Neto, 35, ocorrida na tarde de sábado (12) em Dourados, a 233 km de Campo Grande. Denunciado por colocar fogo na vegetação perto de onde morava na Vila Cachoeirinha, região sul da cidade, Elcindo resistiu à abordagem dos guardas, foi atingido por dois tiros de munição menos letal e morreu no meio da rua.

Ao Campo Grande News, o comandante da Guarda, inspetor Divaldo Machado de Menezes, disse que já determinou à Corregedoria da corporação que investigue o caso. Elcindo ainda foi atingido por dois disparos de Spark, arma elétrica incapacitante.

O comandante mandou recolher as duas escopetas calibre 12 usadas com cartucho carregado com bagos plásticos para controle de distúrbios a curta distância. A munição é fabricada pela CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos). “Serão recolhidas temporariamente, até sair o resultado da perícia”, afirmou.

Divaldo explicou que a munição era chamada de “não letal”, mas depois o nome mudou para “menos letal” devido à ocorrência de mortes de pessoas atingidas pelo tiro de polietileno. No sábado, o inspetor da Guarda Sílvio Peres, oficial do dia, disse que a morte foi “uma fatalidade”.

Resistência e morte – O Campo Grande News teve acesso à ocorrência registrada pela Guarda Municipal sobre o caso. Em duas folhas, o oficial responsável em elaborar o documento relata detalhes da abordagem que terminou em morte.

Os guardas foram acionados quando faziam rondas no bairro Alto das Paineiras, região leste da cidade. O chamado dizia que um homem tinha colocado fogo na margem do Córrego Água Boa, que corta a cidade de norte a sul.

Quando chegaram ao bairro, os guardas perceberam que o fogo tinha se alastrado e acionaram o Corpo de Bombeiros. Uma moradora informou à equipe o endereço do homem responsável pelo incêndio. Os guardas foram até a casa de Elcindo, onde a mulher dele confirmou que o marido tinha ateado fogo na vegetação.

Elcindo foi encontrado a 70 metros de casa. Ao ver os guardas se aproximando, ele correu e se escondeu atrás de um carro. Quando o encontraram, segundo a ocorrência, os guardas deram ordem de parada, mas o homem teria fugido de novo, correndo pela rua.

Nesse momento foram feitos os dois primeiros disparos com a escopeta carregada com munição antimotim. Entretanto, conforme a ocorrência, os tiros foram em direção aos pés de Elcindo, “visando apenas evitar sua fuga”.

Elcindo continuou a correr e entrou em uma casa, onde teria se armado com uma tesoura e investido contra os guardas municipais, dizendo “agora eu vou matar vocês”.

Foi dada ordem para o homem largar a tesoura e se render, mas como continuou investindo contra os guardas, Elcindo foi atingido por um disparo de Spark. Segundo a empresa Condor, fabricante da Spark, esse tipo de arma libera 40% menos energia que os modelos de choque anteriores e atua no sistema nervoso do indivíduo.

“Elcindo sequer sentiu, provavelmente em razão da influência de entorpecentes”, afirma a ocorrência. A Guarda cita no boletim o depoimento de testemunhas afirmando que Elcindo havia consumido crack naquele dia.

Mesmo atingido pelo disparo elétrico, Elcindo teria continuado partindo para cima dos guardas com a tesoura na mão e investido também contra uma testemunha.

Tesoura usada por homem para investir contra guardas municipais (Foto: Adilson Domingos)Tesoura usada por homem para investir contra guardas municipais (Foto: Adilson Domingos)

Tiro de polietileno – Nesse momento, um dos guardas fez o primeiro disparo com a escopeta carregada com munição antimotim. O tiro acertou a perna esquerda e a mão esquerda do homem, que largou a tesoura, mas como continuava avançando contra os agentes, foi atingido por outro disparo de arma elétrica.

Ainda assim Elcindo não se rendeu, segundo a ocorrência. Ele tentou fugir, mas um morador entrou na frente para que não deixasse o local. Para garantir a integridade da testemunha, conforme a Guarda Municipal, foi feito outro disparo de calibre 12 com munição antimotim.

Mesmo atingido por dois disparos de dardos elétricos e dois tiros de munição de polietileno, Elcindo conseguiu sair correndo para a rua e dois quarteirões depois trombou em uma caminhonete estacionada na calçada e caiu.

A Guarda Municipal afirma que mesmo no chão, o homem ofereceu resistência e teve de ser algemado. “Após sua contenção percebeu-se que um dos disparos atingiu uma área irrigada que o fez perder sangue”, diz a ocorrência.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para fazer o socorro, mas Elcindo morreu no meio da rua. Além do procedimento interno da Guarda, a morte será investigada pela Polícia Civil.

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