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Interior

Homem que assassinou professora a facadas é condenado a 22 anos de prisão

Edevaldo Costa Leite assassinou professora com 38 facadas no dia do aniversário da vítima

Por Adriano Fernandes | 21/10/2020 21:48
Edevaldo Costa Leite em frente ao juíz, durante o julgamento. (Foto: Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense)
Edevaldo Costa Leite em frente ao juíz, durante o julgamento. (Foto: Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense)

Levado a julgamento nesta quarta-feira (21) Edevaldo Costa Leite, de 32 anos, foi condenado a 22 anos de prisão por ter assassinado com 38 facadas a professora Nádia Sol em 10 de março do ano passado, dia do seu aniversário de 38 anos da vítima. Por conta da pandemia do novo coronavírus todo a audiência, que durou cerca de 6h30 foi divulgado pelo Youtube, por meio da página Tribunal do Júri de Corumbá, onde ocorreu o julgamento.

O júri popular foi composto por três homens e quatro mulheres, escolhidos por sorteio. Ao ser indagado sobre o dia do crime pelo juiz André Luiz Monteiro, da primeira Vara Criminal de Corumbá, ele disse que a vítima havia feito dívidas em seu nome, mas que não se lembrava de detalhes do assassinato. Depois de se recusar a responder os questionamentos da promotoria, Edevaldo foi retirado da sala e permaneceu aguardando o fim do júri em outro local.

A principal linha utilizada pela defesa de Edevaldo, feita pelo advogado Nivaldo Paes, foi baseada em uma eventual falha processual supostamente ocorrida na fase do inquérito policial. Conforme o portal Diário Corumbaense o defensor apontou que “não teve um trabalho bem feito por parte da Polícia Civil, na investigação (delegado responsável na época e médico legista), e acusou o Estado de não capacitar e dar recursos adequados para a investigação”. Além disso, o advogado alegou falhas no não recolhimento dos celulares, tanto da vítima como do réu, que poderiam revelar mais detalhes sobre o crime.

Foram ouvidas duas testemunhas pela defesa, sendo um jovem que havia presenciado a cena do crime e que estava na vila onde a vítima residia e foi morta e o ex-delegado, da Polícia Civil, Fernando Araújo, que participou por meio de videoconferência, pois está preso em Campo Grande, acusado do assassinato de um fazendeiro boliviano em Corumbá.

Já a acusação, representada pelo promotor Rodrigo Correa Amaro, da 3ª Promotoria de Justiça de Corumbá, defendeu a tese de homicídio qualificado, asseverando que, conforme o inquérito policial, os fatos configuram as qualificadoras de emboscada, crueldade, motivo torpe e feminicídio. O promotor afirmou que Nádia não teve chance de se defender e que foi surpreendida ao chegar em sua residência, após sair de uma casa noturna, na qual celebrou o seu aniversário.

Segundo Rodrigo Amaro, a vítima teria recebido, no mínimo, 38 facadas, e não 36, conforme citado anteriormente em fase de inquérito. Uma das testemunhas ouvidas ainda contou que a vítima foi arrastada pelo cabelo em via pública enquanto o autor a esfaqueava.

Contudo, Edevaldo Leite foi condenado por homicídio qualificado, com a pena base de 16 anos e 3 meses de reclusão, agravado 5 anos e seis meses, pelas qualificadoras de emboscada, crueldade, motivo torpe e feminicídio (violência doméstica).

Mãe e ex-sogra de Nádia se abraçando ao final do julgamento. (Foto: Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense)
Mãe e ex-sogra de Nádia se abraçando ao final do julgamento. (Foto: Leonardo Cabral/ Diário Corumbaense)

Justiça

Ao ouvir a sentença de 22 anos de prisão em regime fechado, Maria Inês Sol Neves, mãe de Nádia, caiu em lágrimas. Agarrada a um terço, que foi sua companhia durante todo o julgamento, ela desabafou ao Diário Corumbaense que a “Justiça estava sendo feita”.

“Não tem um dia que não passo pensando em minha filha. Estar aqui é a sensação de Justiça pelo o que aconteceu com minha filha. Vim de Campo Grande só para acompanhar o julgamento e saio daqui com um pequeno alívio, pequeno, pois minha filha não está mais aqui com a gente, mas a Justiça foi feita, que ele cumpra a condenação”, disse Maria Inês.

Acompanhando a mãe de Nádia, a ex-sogra, avó das duas filhas da vítima e que hoje é responsável pelas crianças, descreveu Nádia, como uma “mãezona”. “As minhas netas todos os dias lembram dela. É psicólogo toda semana. Mas vamos vivendo”, contou.

O crime - A professora foi morta no dia 10 de março de 2019, data em que comemorava 38 anos, no Bairro Universitário. O rapaz não aceitava a separação e no dia do crime esperava pela vítima em casa. Houve uma discussão, quando ele pegou uma faca e golpeou a professora , atingindo-a nas costas, tórax, rosto e braços. Nádia ainda foi socorrida e levada para a Santa Casa de Corumbá, mas não resistiu aos ferimentos.


 

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