Homem que matou ex-companheira a facadas em Ribas é condenado a 33 anos
Crime aconteceu em 14 de dezembro do ano passado; vítima chegou a ser socorrida pelo pai, mas não resistiu
Marcelo Augusto Vinciguerra, de 31 anos, réu por matar a ex-companheira Aline Barreto da Silva, de 33 anos, foi condenado a 33 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado, nesta quinta-feira (3), em Ribas do Rio Pardo, a cerca de 100 quilômetros de Campo Grande. O crime aconteceu em 14 de dezembro do ano passado. Aline foi a 39ª vítima de feminicídio registrada em Mato Grosso do Sul em 2025.
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Poucas horas antes de ser morta, Aline havia pedido socorro à Polícia Militar durante uma discussão com Marcelo. Os militares foram até o endereço, mas não encontraram o casal no local. Conforme o registro da ocorrência, a vítima já havia denunciado o ex-companheiro e chegou a ter medida protetiva contra ele. A proteção, porém, havia sido retirada cerca de um mês antes do crime, após os dois retomarem o relacionamento.
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Durante a madrugada, Aline foi esfaqueada três vezes. A filha dela, de 13 anos, ligou para o avô e contou que o padrasto estava agredindo a mãe. O pai da vítima foi até a residência e encontrou Aline caída no chão, ainda consciente.
Segundo o depoimento, Marcelo permaneceu no imóvel enquanto os familiares tentavam socorrer Aline. Durante o resgate, ele teria pedido ajuda e dito: "salva ela". A vítima ainda conseguiu conversar com o pai, mas estava com a voz cada vez mais fraca.
"Eu fui correndo para a casa dela", contou o pai ao Campo Grande News. Ele e a esposa colocaram Aline em uma caminhonete e a levaram às pressas para o pronto-socorro da cidade. Apesar do socorro, ela não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.
Marcelo foi encontrado pela Polícia Militar em frente à casa onde o crime aconteceu e preso em flagrante.
Segundo o delegado Felipe Braga, Aline e Marcelo mantiveram um relacionamento por cerca de 12 anos e estavam separados havia quatro. Em abril de 2025, ela havia solicitado medida protetiva contra o ex-companheiro, mas a proteção estava inativa quando ocorreu o crime, após a retomada do relacionamento.
No dia seguinte à morte de Aline, moradores de Ribas do Rio Pardo se reuniram em uma praça da cidade para pedir justiça. Vestidos de preto, familiares, amigos, colegas e vizinhos participaram de um ato em homenagem à vítima e denunciaram a violência contra as mulheres.
"Este ato não é apenas sobre uma ausência, é sobre um direito básico que está sendo negado a muitas de nós, mulheres. O direito de viver. Nenhuma mulher deve ter sua história interrompida pela violência. Nenhuma mulher deve viver com medo. Nenhuma mulher deve ser silenciada", disse uma das organizadoras.
Antes do ato, os participantes fizeram um cortejo pelas ruas de Ribas do Rio Pardo, passando por locais que marcaram a trajetória de Aline. Um dos momentos de maior simbolismo foi a passagem em frente ao outdoor da empresa onde ela trabalhava como analista. Na campanha institucional, Aline aparecia sorrindo.
Marcelo sentou no banco dos réus na manhã desta quinta-feira (3). Após horas de julgamento, o Conselho de Sentença decidiu pela condenação.
Além da pena de 33 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado, Marcelo foi condenado ao pagamento de mais de R$ 30 mil em indenização aos filhos de Aline. A vítima deixou quatro filhos, sendo três deles filhos do próprio condenado.




