Casa vira bazar com quadros, panelas de ferro e relíquias a partir de R$ 5
Evento marca despedida do imóvel onde viveu Breno Silvestrini, jovem sequestrado e morto em 2012
Paola Silvestrini, de 38 anos, está se despedindo da casa onde cresceu, mas, para que os objetos de uma vida não acabem no lixo, ela, a mãe e a irmã resolveram fazer um bazar neste sábado (5), com quadros, esculturas, panelas de ferro, livros, vinis e eletrodomésticos a partir de R$ 5. A ideia é que os itens que fizeram parte da história da família Silvestrini e que ainda têm valor sentimental fiquem com pessoas que cuidarão bem deles.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Paola Silvestrini, de 38 anos, realiza neste sábado (5) um bazar na Rua José Oliva, 46, no bairro Monte Castelo, das 8h às 16h, para vender objetos da casa onde cresceu. Entre os itens estão quadros, vinis, livros e eletrodomésticos, com preços a partir de R$ 1. O evento marca a despedida do imóvel após a morte do pai e evoca a memória do irmão Breno, sequestrado e assassinado em 2012.
Despedir-se da casa não é fácil, porque foi ali que viveu os melhores e piores momentos da vida dela. Um deles foi a partida trágica do irmão Breno Luigi Silvestrini de Araújo. Ele foi sequestrado e assassinado em 2012 junto do amigo de infância Leonardo Batista Fernandes.
A dor ainda aparece nos olhos de Paola, mas o tempo fez com que falar sobre o assunto não fosse um tema restrito. O Lado B esteve na preparação para o bazar. Quem procura objetos que marcaram vai aproveitar para garimpar por um precinho acessível.
“É um lugar cheio de memórias e histórias felizes. Estamos encerrando esse ciclo e passando esse carinho adiante. Isso já era um desejo antigo desde que o Breno partiu, que foi uma coisa muito difícil para todos nós. Foi uma tragédia na nossa família. E também estamos querendo nos despedir desse momento, dessa casa e de todas essas memórias, mas queremos que fique com pessoas que também têm muito carinho pela gente”.
A despedida do imóvel ocorreu depois da morte do pai, Rubens Milton Silvestrini de Araújo, ou Rubinho, como era conhecido. Ele era engenheiro e professor e colecionava inúmeras coisas na casa, entre elas, guampas de tereré, que já têm destino certo, segundo Paola.
“Vamos fazer um projeto com isso, mas algumas colocamos para venda. A gente quer que as pessoas levem isso com carinho e aproveitem um terezinho. Algumas coisas eram da minha avó, que era italiana e veio para cá na 2ª Guerra Mundial. Ela viajava muito. Também tem coisas que ela trouxe da Índia, da Grécia. Meu pai trazia também, trouxe do México e do Peru, Bolívia”.
Além disso, a lista de objetos disponíveis no bazar conta com um busto, réplica da obra de um artista francês, e muitos pires de alumínio e inox, vendidos de R$ 10 a R$ 50. Há também alguns vinhos, cachaças de degustação e vários whiskies, vendidos a partir de R$ 20.
Já os quadros têm preços diversos: R$ 100, R$ 120, R$ 150. Um de Salvador Dalí sai a R$ 250, as panelas a partir de R$ 100. Mas Paola garante que tudo será vendido por um preço justo e acessível.
“Tem coisa que está a menos de R$ 1, os cabides, por exemplo. Estou fazendo kits de R$ 5, R$ 10. Tem muita coisa e a maioria custa menos de R$ 100”. Entre os livros, inúmeros acadêmicos, mas incontáveis de romance, ficção e gêneros diversos.
Na parte dos vinis, o catálogo traz Michael Jackson, Stevie Wonder, Vinícius de Moraes, Elis Regina, entre outros grandes nomes da música nacional e internacional. CDs também estão disponíveis.

Voltando à casa, a família toda morava ali. Depois da morte de Breno, as coisas mudaram muito. As visitas que enchiam o ambiente foram sumindo. Ninguém sabia como lidar com a tragédia.
Paola relembra que Breno era um jovem simples e muito carinhoso, que valorizava estar junto com as pessoas que amava. “Ele, ao contrário do meu pai, que sempre gostou de muitas coisas, ele nunca gostou disso. Era mais apegado às pessoas e às memórias. E o que fica é justamente isso. Ele nunca se apegou a isso, (bens materiais), pra ele eram as memórias e as vivências e a gente continua tendo ele dentro de cada um de nós”.
Até hoje, Paola se pega pensando no que o Breno faria ou como agiria em determinada situação da vida. “Ele segue com a gente, assim como meu pai. Inclusive muita gente virá aqui porque eram do Rubinho essas coisas”.
Após a morte do irmão, a mãe fundou a Associação Mulheres da Fronteira, que atuou no estado até 2019. A ideia veio como forma de cobrar o poder público sobre a segurança na cidade.
“Foi muito difícil e vai ser sempre, principalmente para minha mãe. Na época, a gente estava vivendo uma mudança sobre a segurança pública. As pessoas estavam sentindo mais isso do tráfico porque sequestraram meu irmão para trocar o carro por droga”.
O bazar será apenas neste sábado (5), na Rua José Oliva, número 46, no bairro Monte Castelo. O evento acontecerá das 8h às 16h.
Confira a galeria de imagens:
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.




















