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Interior

Juiz decreta prisão de família que “prosperou na vida” vendendo droga

DJ acusado de distribuir droga em baladas, a mãe, a irmã e entregador foram presos no dia 23

Por Helio de Freitas, de Dourados | 27/11/2023 11:06
Os quatro presos quando chegavam à carceragem da Depac, em Dourados (Foto: Adilson Domingos)
Os quatro presos quando chegavam à carceragem da Depac, em Dourados (Foto: Adilson Domingos)

O juiz Marcelo da Silva Cassavara, da 2ª Vara Criminal, decretou a preventiva de quatro pessoas presas por tráfico de drogas, quinta-feira (23), em Dourados, a 251 km de Campo Grande. Durante audiência de custódia, o juiz homologou o flagrante, expediu os mandados de prisão e terminou transferência dos acusados para o sistema penitenciário.

Três presos são da mesma família – Rutineia Roque Ovando, 53, a “Neia”, e os filhos dela, o DJ de música eletrônica Paulo Henrique Roque Ovando, 28, o “Paulo Walker”, e a microempresária Michele Roque Ovando, 25. O quarto envolvido é o soldador Aguinaldo Messias da Silva, 42, preso no momento em que saía da casa da família Ovando com porções de cocaína para entregar a clientes da “boca”.

Os quatro presos continuam recolhidos na carceragem da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), na área central de Dourados. Paulo Walker e Aguinaldo devem ser levados ainda hoje para a PED (Penitenciária Estadual de Dourados). Neia e Michele aguardam vaga em presídios femininos da região.

Família do tráfico – A “Família Ovando” estava sendo investigada desde o início deste ano, mas os indícios de ligação com o tráfico de drogas sugiram há mais tempo.

Da casa modesta com único banheiro onde morava no Parque das Nações II, a família “subiu de patamar” e passou a residir numa casa maior no Jardim Canaã IV, também na região leste de Dourados. Cercada por muros altos e com monitoramento por câmeras, a casa tem dois cães da raça Rottweiler que ajudam a garantir a segurança e afastar intrusos.

DJ de festa rave e vendedor de loja, Paulo Henrique Ovando deixou o trabalho no comércio e passou a trabalhar como motoentregador. Segundo a Polícia Civil, o emprego era apenas fachada. Além de abastecer as baladas onde tocava, ele também é acusado de entregar droga de moto, em bolsas térmicas comumente usadas para transportar alimentos.

Michele Roque Ovando também “melhorou de vida”. De balconista, abriu seu próprio negócio, uma loja de roupas masculinas no Parque das Nações II. Segundo a polícia, ela e o marido também distribuíam droga em baladas frequentadas por pessoas de alto poder aquisitivo da cidade.

De acordo com o flagrante registrado na 2ª Delegacia de Polícia, a família começou a ser investigada após surgirem indícios de que todos vendiam droga em casa e também abasteciam outras “bocas” na região.

No dia 14 de fevereiro deste ano, o patriarca da família, Miguel Sergio Ovando, foi preso por tráfico de drogas. Segundo os investigadores, Rutineia e os filhos Paulo e Michele continuaram vendendo cocaína, maconha e crack.

“Em algumas oportunidades, Paulo Henrique, utilizando veículo duas rodas, levando nas costas mochila (caixa térmica) de entrega de lanches/alimentos, fazia entrega de entorpecente, como também em outras situações quando estava participando de festas eletrônicas como DJ ou apenas visitante, fazia distribuição de entorpecente. Michelle Ovando e seu esposo realizavam entregas de droga, do tipo cocaína, enquanto participavam de baladas frequentadas por pessoas de poder aquisitivo mais elevado”, afirma trecho do relatório policial.

Na quinta-feira (23), policiais da 2ª DP foram até a casa da família, localizada na Rua José Josino Salgueiro, 580, no Jardim Canaã IV. Aguinaldo Messias da Silva deixava o local no carro de Neia, um Fiat Palio prata.

Os policiais abordaram o veículo e encontraram porções de cocaína. Aguinaldo afirmou ser usuário da droga e que tinha ido à casa para consertar uma torneira. Rutineia Ovando teria então pedido que ele levasse cocaína a dois “clientes”.

Droga no sutiã - Diante do flagrante, os policiais entraram na casa. Ao ver a polícia, Rutineia correu e se trancou no banheiro. Os cães ficaram agitados e os investigadores precisaram ordenar a Paulo Henrique que os controlasse.

Segundo a polícia, a mulher havia escondido uma porção de cocaína no sutiã. Mãe e filho negaram a existência de mais droga na casa, mas durante as buscas, os policiais encontraram cocaína e crack no banheiro social da casa e no quarto de Paulo Henrique – onde também existem pertences de Michele.

Na área da churrasqueira, nos fundos, havia porções de drogas em uma prateleira de mármore e num buraco na parede, atrás de armários planejados. No total, foram apreendidos 1,7 quilo de cocaína, 500 gramas de crack e porções de maconha, além de dinheiro em notas de real e dólar, joias, balança de precisão e sete celulares.

Em depoimento na delegacia, Aguinaldo confessou que passa por dificuldade financeira e por isso fazia entrega de drogas a mando de Rutineia Ovando. A mulher e Paulo Henrique Ovando ficaram em silêncio. Michele disse que mora em outro bairro com o marido e que apenas tinha ido à casa da mãe para almoçar.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema de tráfico. Além do marido de Michele, a polícia apura a participação de dois irmãos, que também entregavam droga por ordem de Rutineia Ovando. Os celulares apreendidos serão periciados, o que pode revelar a participação de outras pessoas.

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