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Campo Grande, Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

25/10/2018 10:00

Justiça marca para agosto de 2019 audiências do cartel do gás

Esquema foi desvendado em março deste ano e audiências marcadas para 17 meses após operação; acusados estão soltos

Helio de Freitas, de Dourados
Operação do Gaeco contra o cartel do gás de cozinha em Dourados, em março (Foto: Arquivo)Operação do Gaeco contra o cartel do gás de cozinha em Dourados, em março (Foto: Arquivo)

A Justiça Estadual marcou para agosto de 2019 as audiências para depoimento de testemunhas e dos empresários acusados de montar um cartel para controlar a venda e o preço do gás de cozinha em Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande.

Em 27 de março deste ano, a Operação "Laisse Faire", desencadeada pela Promotoria de Justiça em Dourados e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), prendeu oito comerciantes do ramo de gás de cozinha.

Outros empresários do setor que não chegaram a ser presos também foram denunciados pelo Ministério Público e viraram réus por crime contra a ordem econômica, cartelização de preços e organização criminosa.

O processo principal foi desmembrado em três ações – uma delas com seis réus, outra com três acusados que ficaram três meses presos e uma terceira, com dois comerciantes que moram em Campo Grande.

O processo que teve as audiências de instrução e julgamento marcadas para agosto de 2019 tem como réus Márcio Sadão Kushida, Edvaldo Romera de Souza, Cesar Meirelles Paiva, Gregório Artidor Linné, Josimar Evangelista Machado e Daiane Lazzaretti Souza.

Na terça-feira (23), o juiz da 1ª Vara Criminal de Dourados Luiz Alberto de Moura Filho marcou para às 13h30 de 20 de agosto do ano que vem a audiência para depoimento de testemunhas de defesa e acusação e para o mesmo horário do dia seguinte a audiência para ouvir os réus.

Entre as testemunhas de acusação está um comerciante de Umuarama (PR), peça-chave nas investigações do Gaeco. Foi ele que revelou o esquema montado pelos comerciantes de Dourados após sofrer ameaças da quadrilha. O empresário será ouvido por carta precatória.

Ainda não foram definidas as datas das audiências dos outros dois processos. Um deles tem como réus Mauro Victol, Rubens Pretti Filho e Rogério dos Santos Almeida.

Os três estavam presos quando a denúncia contra os 11 envolvidos foi aceita pela Justiça, por isso a ação foi desmembrada. Atualmente todos estão em liberdade.

A terceira ação pena resultante da Operação "Laisse Faire" tem como réus os campo-grandenses Diovana Rossetti Pereira e Hamilton de Carvalho Rocha.

O esquema – Os 11 comerciantes são réus por montar um cartel para controlar a venda e o preço do gás de cozinha em várias cidades do interior, principalmente em Dourados, onde usavam até de ameaça de arma em punho para obrigar os concorrentes a adotarem as regras do esquema.

Diovana era gerente da distribuidora Copagaz em Campo Grande e Hamilton de Carvalho Rocha gerente da distribuidora da Ultragaz, também na Capital.

Rogério Almeida é dono de uma distribuidora de gás de Nova Andradina. Os outros oito comerciantes são de Dourados e controlam as maiores revendas de gás da cidade.

Líderes – Considerados os mais violentos do cartel, Mauro Victol e Rubens Pretti Filho ficaram mais tempo na prisão por terem sido flagrados também por porte ilegal de arma. Eles deixaram a prisão no início de agosto, após 127 dias na cadeia.

Victol também está condenado por homicídio. Em janeiro deste ano, ele foi condenado a sete anos de prisão por homicídio por matar, em 2016, Luciano Soares Semzack, outro comerciante de gás de Dourados.

Na época, a defesa alegou legítima defesa, mas durante as investigações do cartel surgiram indícios de que Victol tenha praticado o crime para eliminar um concorrente que não aceitava as regras do cartel. O processo está em fase de recurso.

Citados em depoimentos de testemunhas e gravados em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, Mauro Victol e Rubens Pretti Filho foram apontados pelo Ministério Público como os mais atuantes no cartel e que recorriam a ameaças para impor as regras do esquema.

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