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Interior

Mesmo condenado por matar e queimar corpo de advogado, réu ganha liberdade

Após receber sentença de 5 anos no regime aberto, Willias voltou para casa depois de três anos na cadeia

Por Geisy Garnes | 17/06/2021 12:58
Corpo de ex-presidente da OAB de Aquidauana sendo retirado de camionete carbonizada (Foto: Luiz Guido Júnior/O Pantaneiro)
Corpo de ex-presidente da OAB de Aquidauana sendo retirado de camionete carbonizada (Foto: Luiz Guido Júnior/O Pantaneiro)

Willias Alves de Moura réu pelo assassinato do próprio tio, o advogado Severino Alves de Moura, ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Aquidauana, foi condenado a cinco anos e nove meses no regime aberto e ganhou a liberdade após três anos presos. O corpo do advogado foi encontrado às margens da BR-419 dentro da própria caminhonete, carbonizada, em dezembro de 2017.

O júri de Willias ocorreu nesta quarta-feira (16) em Anastácio – cidade a 135 quilômetros de Campo Grande. Diante dos quatro depoimentos das testemunhas e da versão narrada pelo próprio réu, os jurados do Conselho de Sentença acataram a tese de homicídio privilegiado, aquele que é cometido sob domínio de violenta emoção e por isso tem redução de pena garantida por lei.

No julgamento, os jurados reconheceram Willias como autor do assassinato, mas entenderam que ele agiu diante de violenta emocionada ocasionada por uma provocação da vítima. Por conta disso, o juiz Luciano Pedro Beladelli definiu a pena pelo crime em 4 anos e nove meses de reclusão. Ele ainda foi considerado culpado pela ocultação de cadáver e foi condenado a mais um ano de prisão.

Inicialmente, pelo tempo de pena, o juiz determinou que a condenação fosse cumprida no regime semiaberto, mas como Willias permaneceu preso do dia 14 de dezembro de 2017 até ontem – mais de três anos – aplicou a detração da pena e mudou o regime para aberto. Diante da situação, o réu ganhou a liberdade e o direito de recorrer da decisão em casa.

O depoimento

Durante o julgamento, Willian chorou ao lembrar do assassinato do tio (Foto: Reprodução)
Durante o julgamento, Willian chorou ao lembrar do assassinato do tio (Foto: Reprodução)

No julgamento deste quarta-feira, Willian contou ter discutido com o tio no dia do assassinato por causa da construção da cerca, que segundo ele, era dentro da sua propriedade e não atrapalharia ninguém. Durante o desentendimento, alegou, viu que Severino estava com uma faca na mão.

Chorando, afirmou ter vivido naquele momento todas as emoções e humilhação que a mãe, a tia e a avó passaram nas mãos do tio ao longo da vida. “Ali ele tentou me diminuir também”. Relatou que correu atrás do tio ao perceber que ele tinha “baixado a guarda da faca”, mas não conseguiu tirar a arma dele e se escondeu atrás de um dos postes que havia acabado de instalar na propriedade.

Quando o tio se aproximou com a faca na mão, contou, ele empurrou o poste. “Corri para trás de um poste, ele estava só no buraco, não estava fincado eu empurrei o poste com toda a minha força, ele bateu na cabeça dele e ele já caiu desfalecido”, disse em meio a lágrimas.

Diferente das versões apresentadas no processo. Willias afirmou que após matar o tio, fico em estado de choque e recebeu ajuda dos dois empreiteiros que trabalhavam com ele para colocar o corpo na caminhonete. Depois, pegou a rodovia, mas nervoso, acabou dirigindo com o freio de mão puxado e se acidentou. Saiu da pista e bateu entre duas árvores, por isso o veículo pegou fogo.

Ao ser questionado se tinha intenção de matar o tio, respondeu: “Jamais, jamais, jamais, eu só me defendi”.

Investigação

Em vários pontos, o depoimento do réu foi contra a apuração da polícia. As investigações concluíram que no dia do crime dois empreiteiros e Willias construíam cerca entre as duas propriedades, que atrapalharia o acesso de Severino à fazenda dele. Ele teria ido “tirar satisfação” com o sobrinho. Nesse momento discutiram.

De longe os empreiteiros viram a discussão e presenciaram Severino ser perseguido por Willias. Pouco depois, o réu assumiu a direção da caminhonete do tio, passou pelos funcionários e avisou para que eles o encontrassem nas margens da rodovia, alguns quilômetros da propriedade. Eles obedeceram e ainda foram instruídos a mentir sobre o horário em que trabalharam na construção da cerca aquele dia. Versão completamente desmentida pelo réu.

Segundo a polícia, não havia qualquer sinal de colisão na caminhonete, amassado na lataria ou frenagem no asfalto.

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