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Interior

Ministério envia equipe para ouvir indígenas sobre morte de cacique

Agentes do MPI e da Funai estiveram ontem na aldeia Taquaperi; comunidade cobrou mais segurança na MS-289

Por Mylena Fraiha | 03/05/2026 12:45
Ministério envia equipe para ouvir indígenas sobre morte de cacique
Equipe do MPI durante escuta com a comunidade da aldeia Taquaperi, na região de Coronel Sapucaia (Foto: Divulgação).

Após a execução do vice-cacique guarani kaiowá Givaldo Santos Kaiowá, o governo federal enviou equipes à Reserva Indígena Taquaperi, em Coronel Sapucaia, a 396 km de Campo Grande, para realizar escuta qualificada junto à comunidade. A ação foi coordenada pelo MPI (Ministério dos Povos Indígenas) e pela Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), com apoio da FNSP (Força Nacional de Segurança Pública), no sábado (2), um dia após o crime.

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O governo federal enviou equipes à Reserva Indígena Taquaperi, em Coronel Sapucaia (MS), após a execução do vice-cacique guarani kaiowá Givaldo Santos Kaiowá, de 40 anos, morto a tiros na rodovia MS-289. O Ministério dos Povos Indígenas e a Funai realizaram escuta com a comunidade, que protestava exigindo a prisão dos responsáveis. É o terceiro vice-cacique assassinado na região em dois anos.

Em nota, o MPI informou que tomou conhecimento da morte na sexta-feira (1º) e mobilizou equipes para ouvir familiares e testemunhas, com o objetivo de subsidiar medidas emergenciais de proteção. Cerca de 3,8 mil indígenas vivem na reserva.

Ao chegarem ao local, os representantes federais encontraram um protesto de indígenas guarani kaiowá, que bloqueavam a rodovia MS-289 para exigir a prisão dos responsáveis e denunciar a sequência de assassinatos de lideranças — no ano passado, outros dois vice-caciques, Samuel Kaiowá e Lúcio Kaiowá, foram mortos.

Durante a escuta, representantes da Assembleia Geral Aty Guasu, que integra a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), afirmaram que Givaldo cobrava investigações sobre um atropelamento recente que matou dois indígenas na mesma rodovia. Segundo o MPI, a comunidade também relatou que o vice-cacique havia apreendido drogas recentemente dentro da reserva.

Além de relatarem o contexto, os indígenas também reivindicaram medidas estruturais para aumentar a segurança na região, como a instalação de iluminação pública, a construção de passarela, a implantação de câmeras de vigilância e radares de controle de velocidade. A rodovia foi liberada após a chegada das equipes do MPI e da Funai.

Na nota, o MPI também prestou solidariedade aos familiares de Givaldo. “O Ministério dos Povos Indígenas manifesta solidariedade à família e à comunidade Guarani Kaiowá e reforça seu compromisso com a defesa dos direitos indígenas previstos na Constituição Federal de 1988, assim como os tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário”.

O caso — Conforme noticiado anteriormente, o crime ocorreu às margens da MS-289, nas proximidades do ponto conhecido como “Chapeuzinho”, entre os municípios de Coronel Sapucaia e Amambai. Segundo relatos da comunidade, dois homens em uma motocicleta foram até a casa de Givaldo por volta das 18h30 de sexta-feira, perguntaram por ele e, minutos depois, o líder indígena foi alvejado na estrada, enquanto pilotava uma moto.

Ele foi encontrado caído no canteiro da pista, com um tiro na cabeça e o veículo sobre o corpo. Givaldo havia assumido o cargo de vice-cacique em 3 de janeiro. Ele tinha 40 anos, deixa esposa, seis filhos e um neto.

De acordo com informações da Polícia Civil, a perícia chegou ao local por volta das 21h e o caso foi registrado. As investigações mobilizam equipes da delegacia de Coronel Sapucaia, de Dourados e da Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira). Testemunhas apontam que o autor do disparo estava em outra motocicleta e pode ter aguardado a passagem da vítima na rodovia.

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