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Interior

Ministério lamenta morte de liderança guarani e seis parentes em MS

Tiago Karai foi coordenador da CGY; 7 pessoas morreram na colisão

Por Gustavo Bonotto | 15/08/2026 19:12
Ministério lamenta morte de liderança guarani e seis parentes em MS
Liderança indígena Tiago Karai, em entrevista. (Foto: Reprodução/Globoplay)

O MPI (Ministério dos Povos Indígenas) lamentou neste sábado (15) a morte de Tiago Karai e seis parentes no acidente entre uma carreta e um Chevrolet Spin na noite de sexta-feira (14), em Iguatemi, a 412 quilômetros de Campo Grande. O grupo seguia pela rodovia quando um semirreboque se desprendeu do caminhão e atingiu o carro perto da ponte sobre o Rio Iguatemi. O veículo pegou fogo e as sete pessoas morreram no local.

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Sete indígenas da comunidade mbya guarani, da Aldeia Tenondé Porã, em São Paulo, morreram na noite de sexta-feira (14) após um semirreboque se desprender de uma carreta e atingir o veículo em que viajavam, em Iguatemi, no Mato Grosso do Sul. O Ministério dos Povos Indígenas lamentou as mortes e identificou as vítimas, entre elas lideranças da comunidade. O motorista da carreta deixou o local e não havia sido localizado até este sábado (15).

Em nota de pesar, o ministério identificou as vítimas como Tiago Karai, Laudiceia Benites, Luna Benites Santos, Tadeu Hiago Werá Mirim Benites dos Santos, Cleonice Honorio dos Santos, Ileo Benites e Genilson Euzébio Karay Mirim. Todos viviam na Aldeia Tenondé Porã, em São Paulo, e pertenciam à comunidade mbya guarani. A pasta afirmou sentir “profundo pesar” pelas mortes.

Tiago foi coordenador da CGY (Comissão Guarani Yvyrupa) e uma das principais lideranças da Aldeia Kalipety. Laudiceia, esposa dele, também exercia papel de liderança na comunidade. “O legado de luta em defesa dos direitos dos povos guarani permanecerá vivo e suas vozes seguirão ecoando entre nós”, diz trecho da nota.

O ministério também manifestou apoio às famílias e à comunidade indígena. “Neste momento de dor e sofrimento, prestamos a nossa solidariedade aos parentes, amigos e a toda comunidade mbya guarani”, afirmou a pasta.

Como mostrou o Campo Grande News mais cedo, a família havia saído de São Paulo e passou pela Aldeia Porto Lindo, em Japorã, antes do acidente. O grupo visitou parentes na comunidade e permaneceu cerca de 40 minutos no local. Segundo o cacique Roberto Carlos, eles participaram de momentos de oração e canto.

Os familiares haviam preparado um jantar, mas o grupo decidiu seguir viagem porque tinha compromisso na segunda-feira na Aldeia Tenondé Porã. A família deixou Porto Lindo em direção a Iguatemi. Entre 15 e 20 minutos depois, os parentes receberam a notícia do acidente.

A colisão ocorreu cerca de 70 metros depois da ponte sobre o Rio Iguatemi. Conforme o registro da ocorrência, o semirreboque se desprendeu da carreta e atingiu de frente o Chevrolet Spin. O impacto foi seguido por um incêndio que consumiu o automóvel.

Os bombeiros chegaram ao trecho por volta das 19h30 e encontraram a caçamba tombada e o carro em chamas. As sete pessoas estavam mortas e presas às ferragens. As equipes aguardaram o trabalho da perícia antes de iniciar a retirada dos corpos, que levou quase duas horas.

O fogo dificultou a identificação das vítimas nas primeiras horas de atendimento. As informações levantadas durante a manhã apontaram que entre os mortos estavam uma criança de 6 anos, uma adolescente de 14 e cinco adultos. A confirmação dos nomes ocorreu posteriormente, inclusive por meio da manifestação do Ministério dos Povos Indígenas.

A funerária de Mundo Novo recolheu os corpos e aguardava orientação para definir o encaminhamento. A previsão inicial era de que eles fossem levados para Dourados, pois Naviraí não teria estrutura de refrigeração suficiente para receber todas as vítimas. Familiares ainda eram aguardados para os procedimentos de reconhecimento e liberação.

O motorista da carreta deixou o local depois do acidente e não havia sido localizado até a manhã deste sábado. A perícia de Naviraí esteve no trecho para levantar as circunstâncias da colisão. Os bombeiros informaram inicialmente que não era possível determinar, apenas pela posição dos veículos, a dinâmica completa do acidente.