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Interior

Mandante de ataque que matou influencer em festival é condenado a 22 anos

Crime durante evento de música nasceu de dívida por cocaína envolvendo grupo da fronteira com MS

Por Helio de Freitas, de Dourados | 06/10/2026 11:18
Mandante de ataque que matou influencer em festival é condenado a 22 anos
A influenciadora paraguaia Cristina Vita Aranda, morta em guerra de traficantes, em 2022 (Foto: Reprodução)

Quase 5 anos depois do tiroteio que terminou com duas pessoas mortas durante o festival Ja’umina Fest, no Paraguai, a Justiça condenou a 22 anos de prisão Alcides de Jesús Villasboa Peralta, conhecido como “Ropero”. Apontado como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), ele foi considerado o mandante do ataque que tinha como alvo Marcos Rojas Mora e acabou matando também a influencer Cristina “Vita” Aranda, atingida quando estava no evento.

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A Justiça paraguaia condenou a 22 anos de prisão Alcides Villasboa Peralta, o "Ropero", apontado como integrante do PCC, por mandar matar Marcos Rojas Mora no festival Ja'umina Fest, em 2022. O ataque também matou a influenciadora Cristina "Vita" Aranda. O policial Junior Peralta Díaz recebeu 5 anos por associação criminosa. A motivação foi uma dívida de US$ 68 mil por 18 quilos de cocaína. O atirador segue sem identificação.

O Tribunal de Sentença também condenou a 5 anos de prisão o policial Junior Michael Peralta Díaz, primo de Alcides. A decisão foi tomada por unanimidade pelos juízes Federico Rojas, María Luz Martínez e Dina Marchuk. O julgamento foi concluído nesta segunda-feira (5), no Paraguai.

Alcides Villasboa foi considerado culpado por homicídio doloso na condição de instigador, associação criminosa e posse não autorizada de arma de fogo com numeração adulterada. O policial foi condenado por associação criminosa. Segundo a imprensa paraguaia, ele havia sido investigado desde o início por suspeita de ter auxiliado a estrutura responsável pelo atentado.

O crime ocorreu em 30 de janeiro de 2022, no Anfiteatro José Asunción Flores, em San Bernardino, durante o Ja’umina Fest. O alvo dos disparos era Marcos Ignacio Rojas Mora, conhecido como “Marcos Capital”. Ele foi atingido por oito tiros e morreu no local.

Vita Aranda estava próxima e acabou atingida na cabeça. Ela chegou a ser levada ao Hospital Nacional de Itauguá, mas não resistiu. Outras pessoas também ficaram feridas durante o ataque.

Durante o julgamento, a Justiça paraguaia considerou comprovado que o atentado estava relacionado a uma disputa dentro do crime organizado. O motivo teria sido uma dívida decorrente de uma negociação de cocaína.

Segundo a reconstrução apresentada no processo, Rojas havia repassado 18 quilos de cocaína a Alcides Villasboa. A droga valia aproximadamente US$ 68 mil. Como o pagamento não foi feito, a cobrança chegou ao chamado quadro de disciplina do PCC, organização criminosa brasileira com atuação também no Paraguai.

Integrantes desse grupo teriam estabelecido prazo para que Villasboa quitasse a dívida. Conforme a acusação, diante da cobrança, “Ropero” decidiu ordenar a morte de Marcos Rojas para evitar o pagamento. O tribunal considerou comprovada a participação dele como mentor do homicídio.

Ligação com a fronteira

As investigações abertas depois do atentado expuseram uma estrutura criminosa com atuação em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.

Ainda em 2022, o Ministério Público paraguaio apontou que Alcides Villasboa seria traficante da região de Pedro Juan Caballero e manteria negócios relacionados à produção de maconha. A apuração também relacionou outros suspeitos a uma organização voltada ao armazenamento de cocaína, maconha, armas, munições e explosivos.

Em processo decorrente das investigações do Ja’umina Fest, a acusação sustentou que o grupo atuava a partir de Pedro Juan Caballero e enviava drogas e armamentos para grandes cidades brasileiras.

A investigação também identificou integrantes e pessoas relacionadas ao PCC. O próprio Marcos Rojas, alvo do atentado, foi apontado pelo Ministério Público paraguaio como integrante da facção e responsável pelo recebimento de drogas para posterior distribuição.

Villasboa já havia sido condenado em julho de 2025, em outro processo derivado das investigações abertas após o atentado. Naquela ação, recebeu pena de 12 anos de prisão por participação em esquema de tráfico de drogas e armas. Milciades Gómez foi condenado a oito anos e Elio Balvino Ovelar Espinoza, a 4 anos.

O caso revelou ainda a presença de outros personagens ligados ao narcotráfico internacional no festival. Entre os feridos estava José Luis Bogado Quevedo, conhecido como “Kurê”, narcotraficante paraguaio de Pedro Juan Caballero que era procurado pela Justiça brasileira.

Bogado Quevedo foi posteriormente extraditado para o Brasil. Ele tinha condenação de 17 anos de prisão por tráfico de drogas e armas, além de dezenas de processos pendentes no País. Apesar do histórico criminal, ele não foi acusado de participar do atentado do Ja’umina Fest e figurou nas investigações como uma das pessoas atingidas.

Atirador

Apesar das condenações, o caso não está totalmente esclarecido. Quatro anos depois do atentado, a identidade do homem que entrou na área próxima aos banheiros do festival e efetuou os disparos ainda não foi estabelecida pelas autoridades paraguaias.

Testemunhas relataram que, depois de atirar, o homem fugiu pulando uma barreira em direção a uma região de mata.

Assim, a sentença responsabiliza Villasboa por ter ordenado o homicídio e o policial por integrar a associação criminosa, mas o executor dos disparos sequer foi identificado.

Para a Justiça paraguaia, ficou comprovado que a morte de Vita Aranda ocorreu como consequência de um ataque cujo alvo era Marcos Rojas e cujo pano de fundo era uma disputa ligada ao narcotráfico e ao crime organizado da fronteira com Mato Grosso do Sul.

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