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MP denuncia piloto, vigia e caça primo de "Marcola do PCC" por roubo de aeronave

Edmur Guimara e mais 2 foram denunciados pelo crime ocorrido em Paranaíba; 8 integrantes do PCC ainda são investigados

Por Silvia Frias | 28/09/2020 10:06
Mas imagens, Edmur (canto esquerdo) fecha hangar depois de retirar aeronave (Foto/Reprodução)
Mas imagens, Edmur (canto esquerdo) fecha hangar depois de retirar aeronave (Foto/Reprodução)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) ofereceu denúncia contra o piloto Edmur Guimara Bernardes, 79 anos e mais dois homens envolvidos no roubo de aeronave em Paranaíba ocorrido no dia 18 de junho de 2019. A promotoria deixou de acusar outros oito suspeitos, todos integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), que ainda estão sendo investigados, entre eles, um primo de “Marcola do PCC”.

“Marcola do PCC” é Marcos Willians Herbas Camacho, considerado o líder geral da facção paulista hoje, detido na penitenciária de Presidente Bernardes.

Além do piloto, foram denunciados o vigia do aeroporto, Idevan Silva de Oliveira, 53 anos e Adevailson Ribeiro, 47 anos, o “Zoio” em processo que tramita na Vara Criminal de Paranaíba sobre o roubo da aeronave CESSNA AIRCRAFT, modelo T182T, PR-NAL. Eles foram acusados de participação em organização criminosa, falsa comunicação de crime, atentando contra a segurança de voo, associação para o tráfico e furto qualificado por abuso de confiança e associação de pessoas.

A juíza Kelly Gaspar Duarte Neves, em substituição legal, considerou que há elementos

O piloto em entrevista quando "escapou do sequestro" (Foto/Arquivo: DestakAgora)
O piloto em entrevista quando "escapou do sequestro" (Foto/Arquivo: DestakAgora)

suficientes que indicam a participação dos três no roubo da aeronave, esquema que envolveria ainda outros integrantes do PCC. O piloto e do vigia inicialmente alegaram terem sido rendidos, mas as câmeras de segurança demonstram outra dinâmica. Os dois também apresentaram informações contraditórias nos depoimentos.

A polícia conseguiu mapear o trajeto do avião: saiu de Paranaíba, pousou em uma fazenda no Paraguai e, posteriormente, seguiu para Bolívia. Edmur Bernardes retornou sozinho a Cáceres (MT) e se apresentou à PF (Polícia Federal), noticiando o roubo do avião. Na versão dele, havia sido rendido em Paranaíba e coagido a pilotar até a Bolívia, mas escapou do cerco por um momento de distração dos bandidos.

Durante as investigações, a Deco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado) chegou até Adevailson Ribeiro, vulgo “Zóio”, integrante do PCC, que havia esquecido o celular no avião. Em depoimento, ele confessou o esquema, entregou o Edmur Bernardes e o vigia e disse que iria receber treinamento para tornar-se piloto do narcotráfico, recebendo até US$ 45 mil por viagem.

Marcos Camacho, o Marcola, considerado o chefe geral do PCC (Foto/Arquivo: Estadão Conteúdo)
Marcos Camacho, o Marcola, considerado o chefe geral do PCC (Foto/Arquivo: Estadão Conteúdo)

A polícia identificou a participação de integrantes do PCC, dentre eles, Renato “Marreta”, que teria apresentando Adevailson Ribeiro a Rodrigo “Magrelo” que organizaram o roubo, praticado com a ajuda de Kim “Mineiro”, Barack Obama (Bala ou Da Lua), Daleste, Pedro e Diuranio. Foram identificados ainda “Colha”, que estava na fazenda em Concepción (PY) e, na Bolívia, Vítor, primo do “Marcola do PCC”.

Vítor, segundo a promotoria, seria chefe do bando e responsável pelo narcotráfico entre Bolívia, a partir da região de San Ignácio e Brasil para distribuição de cocaína em São Paulo.

Nas imagens de câmera de segurança, os integrantes do PCC foram identificados na investigação. O roubo da aeronave tinha dois objetivos: levar Pedro, foragido, para a Bolívia e, depois, iria ao Paraguai, para buscar “Colha” e voltar para Bolívia, até a fazenda de Vítor, para entrega de drogas.

Na denúncia, o MPMS pediu a juntada de antecedentes criminais dos acusados a serem expedidas pelas secretarias de Segurança Pública dos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, além do Instituto de Identificação e deixou de oferecer denúncia contra os integrantes do PCC, já que as investigações continuam para identificação dos criminosos.

A juíza deferiu os termos e ainda marcou audiência, por videoconferência, para os dias 13 e 14 de dezembro.

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