“MS vermelhou”: criminosos usam onda de execuções para extorquir comerciantes
Suspeito exige R$ 500 e ameaça incendiar estabelecimento caso pagamento não seja feito até meia-noite
RESUMO
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Criminosos enviaram um áudio a um comerciante de Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande, se passando por integrantes do Comando Vermelho para exigir R$ 500 como taxa de segurança, sob ameaça de incêndio ao estabelecimento. A tentativa de extorsão explora a onda de violência recente na cidade, mas não tem relação com os crimes investigados. A polícia orienta não pagar, bloquear o contato e registrar boletim de ocorrência.
“O Estado de MS vermelhou.” A frase aparece em um áudio enviado a um comerciante de Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande, por criminosos que se passaram por integrantes do Comando Vermelho para exigir R$ 500. Na gravação, o autor ameaça colocar fogo na conveniência caso o dinheiro não seja transferido até meia-noite.
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A ameaça ocorre em meio à onda de violência que atingiu a cidade nas últimas semanas, com registros de execuções e ataques a tiros em diferentes bairros. Apesar de explorarem esse cenário para intimidar a vítima, conforme apurado pela reportagem, a tentativa de extorsão não tem relação com os crimes que vêm sendo investigados em Sidrolândia.
No áudio divulgado pelo Sidrolândia Notícias neste domingo, um homem se apresenta como “irmão Kaique” e afirma ser “conselheiro geral do Comando Vermelho no Estado de MS”. Em seguida, diz que a suposta facção estaria cobrando uma “taxa de segurança” de comerciantes.
“Estamos pulando em todos os donos de conveniência, casas de festa, casa de piscina e passando um comunicado: a partir de hoje o Comando Vermelho está impondo uma taxa no valor de R$ 500 por conta da segurança que nós oferecemos à população, dentro da cidade”, afirma.
O criminoso então aumenta o tom da ameaça e afirma que quem não obedecer às supostas regras será morto.
“O Comando Vermelho não veio para brincar. Chegamos para ficar dentro do Estado e quem não seguir as nossas regras, vamos exterminar”, diz.
Na sequência, o autor do áudio cita o PCC e afirma não temer a polícia nem outras organizações criminosas. Depois, volta a pressionar o comerciante para fazer o pagamento.
“Não temos medo da polícia, não temos medo do PCC, não temos medo de porra nenhuma. O Estado de MS vermelhou, então ou você vem com nós e não coloca objeção ou então até meia-noite vamos mostrar para você o que é o Comando Vermelho, tacando fogo nessa conveniência ou algo pior”, ameaça.
Violência para intimidar - A tentativa de extorsão ocorre justamente quando Sidrolândia enfrenta uma sequência de episódios violentos. Nas últimas semanas, a cidade registrou homicídios, execuções e ataques armados em diferentes regiões.
Entre os casos recentes estão mortes a tiros e atentados nos bairros Jatobá, Cascatinha e São Bento, além de ataques praticados por homens armados. A sequência de ocorrências passou a fazer parte do discurso usado pelos criminosos para dar credibilidade às ameaças.
Nesse tipo de golpe, os autores alegam ter recebido alguma denúncia contra a vítima, citam bairros ou locais conhecidos da cidade e afirmam que irão atacar o comércio ou a residência. Em seguida, exigem dinheiro por Pix para supostamente impedir a ação.
Apesar das referências ao Comando Vermelho e da utilização do cenário de violência local, a tentativa de extorsão não está ligada aos crimes que vêm acontecendo em Sidrolândia.
A recomendação da polícia é não fazer qualquer pagamento, interromper o contato e bloquear o número utilizado pelos criminosos. Áudios, mensagens, números de telefone e os dados da chave Pix devem ser preservados.
Todo o material deve ser apresentado à Polícia Civil, com registro de boletim de ocorrência para que a tentativa de extorsão seja investigada.
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