“Não ia passar disso”: professor confessa abuso da enteada e alega distúrbio
Em áudio, homem admite comportamento com alunas e tenta convencer a família a não denunciar o caso
“Eu não ia passar disso”, disse o professor estadual, de 55 anos, acusado de abusar sexualmente da enteada, de 13 anos. O Campo Grande News teve acesso nesta terça-feira (18) ao áudio de aproximadamente 50 minutos do momento em que a família confrontou o acusado sobre os abusos.
RESUMO
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Professor de 55 anos é acusado de abusar sexualmente da enteada de 13 anos em Campo Grande. Áudio de confronto familiar, gravado pela mãe da vítima, revela que o suspeito admitiu ter "distúrbios" e tentou convencer a família a não denunciar o caso. Ele também confessou comportamento semelhante em sua escola e alegou não conseguir controlar o próprio olhar.
As identidades de todos os envolvidos não serão divulgadas para que a adolescente seja preservada.
Conforme boletim de ocorrência, a mãe estava fora da cidade a trabalho quando recebeu uma ligação da filha. A adolescente relatou que o padrasto havia insistido para que ela vestisse um pijama, a abraçou e tentou beijá-la na boca, além de fazer menções ao corpo dela. Durante o contato por telefone, a jovem contou que ficou sem reação diante da surpresa.
Na quarta-feira anterior, o suspeito teria fornecido três garrafas de bebida alcoólica do tipo “ice” para a enteada e outra jovem da família. No dia seguinte, alegou que a adolescente estava doente para não ir à escola e comprou outra garrafa de bebida alcoólica destinada exclusivamente à vítima, enquanto os dois permaneciam sozinhos na residência.
Ao retornar para casa, a mãe confrontou o companheiro e gravou a conversa com um celular. “Tá todo mundo aqui porque você assediou a *** pedindo para ela trocar de roupa, por um pijama e pediu para dar um beijo no peito dela”, diz a mãe logo no início do confronto.
O professor rebate em seguida, dizendo que havia contado à menina sobre um sonho que teve, no qual ela usava pijama e ele dava um beijo na testa dela. No entanto, a adolescente discorda e afirma que o homem ficou insistindo até que ela [trecho incompleto no áudio].
“Eu não ia fazer um negócio desses. Eu não ia passar disso”, relatou o acusado logo em seguida. Questionado sobre o motivo dos abusos, ele diz: “Não sei, bestera. Um assunto só, bobeira. [...] Eu não fiz nada com intenção”.
Entre um confronto e outro, é possível ouvir choros no áudio e perceber que a mãe e a vítima estavam bastante abaladas. Em contrapartida, o padrasto segue falando em tom calmo e sereno.
Outra menina, que também participou da reunião, conta que chegou a ver, em outro momento, o professor mexendo na adolescente enquanto ela dormia no sofá. “Você mexia e depois disfarçava que estava cobrindo ela. [...] Por isso a gente parou de dormir na sala”, conta.
Após ouvir os relatos, a mãe diz que o homem destruiu a vida da família, mas ele rebate: “Não tem nada destruído. Não aconteceu nada”. O homem ainda afirma que possui “distúrbios” que foram causados por abusos que sofreu quando criança.
“A minha versão da minha explicação é essa. Todo mundo tem uma coisa assim e eu tenho muito mais. Eu tenho uma coisa assim, esse desvio que eu convivo com ele até hoje. [...] Tudo me chama atenção, eu olho assim, eu sou assim, eu olho, mas aquilo não significa nada, aquilo é só uma descarga. [...] Eu não fico pegando, atacando ninguém”, disse.
Durante a conversa com a família, o professor ainda contou que já havia sido chamado à atenção na escola onde dava aula por estar olhando demais para as alunas. “Cês acabam de perder um pai se tocarem isso pra frente, vocês sabem, né? [A culpa] é minha, mas eu tenho que pagar com a vida? [...] Ajuda o papai, filho, vocês podem ajudar?”, pediu logo em seguida.
Tentando convencer a família a não denunciar o caso, o professor afirma não conseguir controlar o próprio olhar e diz que nunca passou disso. “Já fiz umas merdas dessas, já fiz outras vezes na escola também, acabei de falar, já fiz. O fato de eu ser casado com uma menina muito novinha é por conta disso também. É esse meu distúrbio assim que eu tenho.”
O homem chega a comparar o que chama de “distúrbio” com uma compulsão por compras. “A mente humana é assim, ela é doentia, ela tem distúrbios. Como você tem compulsão para gastos, eu tenho essa compulsão assim, mas eu paro em um determinado momento.”
De acordo com a SED (Secretaria Estadual de Educação), o professor estava afastado das atividades escolares desde o início do ano devido a questões médicas. Segundo a nota enviada à reportagem, foi aberto um procedimento administrativo com afastamento do profissional devido ao caso investigado.
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