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Campo Grande, Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019

04/06/2019 10:50

Notificado, vereador tem dez dias para se defender em pedido de cassação

Junior Rodrigues é acusado de quebra de decoro por ser citado em relatório da CGU sobre suspeita de corrupção na prefeitura

Helio de Freitas, de Dourados
Vereador Junior Rodrigues durante sessão da Câmara de Dourados (Foto: Helio de Freitas)Vereador Junior Rodrigues durante sessão da Câmara de Dourados (Foto: Helio de Freitas)

O vereador Junior Rodrigues (PR), citado em investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul sobre contratos suspeitos entre a prefeitura e empresas prestadoras de serviço, tem dez dias para apresentar defesa no processo de cassação de seu mandato na Câmara de Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande.

A intimação foi entregue ontem pela Comissão Processante instalada no dia 27 de maio para conduzir o pedido de cassação, feito no dia 20 passado pela ex-vereadora e advogada Virginia Magrini. O prazo para conclusão dos trabalhos e entrega do relatório final é de 90 dias.

Virginia afirma que Junior Rodrigues é citado no relatório da Controladoria Geral da União por envolvimento com diretores e funcionários da lavanderia Global Serv, prestadora de serviços contratada pela Funsaud (Fundação de Serviços de Saúde de Dourados).

Anexado ao inquérito civil em andamento na 10ª Promotoria de Justiça da comarca, o relatório aponta suspeita na contratação por dispensa de licitação da Bataline e Gomes Ltda., que usa o nome fantasia de Global Serv.

A auditoria da CGU apontou prejuízo de R$ 382 mil por suspeita de superfaturamento em duas dispensas de licitação e um pregão, além de pagamento sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços.

Três pessoas ligadas à Global Serv trabalharam no gabinete do vereador. Rosângela de Oliveira Palhano Gomes, funcionária da empresa, foi nomeada como assessora parlamentar II de Júnior Rodrigues em janeiro de 2017.

Thiago Caetano Alves, gerente da Global Serv, foi nomeado como assessor parlamentar em 1º de fevereiro de 2017 e exonerado em 1º de novembro do mesmo ano. John Paulo Bogarin Gomes, sócio e responsável da Global Serv, aparece na lista de doadores de Junior Rodrigues na campanha eleitoral de 2016.

Virginia Magrini pediu a cassação do vereador por crime de responsabilidade, previsto no decreto-lei 201/76.

Na sessão da Câmara, ontem à noite, Junior Rodrigues usou a tribuna para se defender. Ele afirmou que está sendo acusado por ser amigo do dono da empresa e que a Comissão Processante será a chance de provar sua inocência.

“Se hoje essa empresa presta serviço para o município, é mérito único e exclusivo do seu proprietário e das pessoas que se envolvem nessa empresa. Jamais tive uma fala sequer com a prefeita ou quem quer que seja para que beneficiasse essa ou aquela empresa”, afirmou.

Junior Rodrigues ocupou o posto de líder da prefeita Délia Razuk (PR) na Câmara até janeiro deste ano, quando foi substituído pelo vereador Alberto Alves dos Santos, o Bebeto (PR).

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