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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

07/04/2016 15:47

Paciente com câncer volta para casa sem quimioterapia por falta de medicamento

Clínica que presta serviço ao Evangélico diz que atrasos acumulam R$ 460 mil e não tem como comprar remédios; 38 pacientes ficaram sem atendimento hoje e número deve chegar a cem até segunda

Helio de Freitas, de Dourados
Hospital do Câncer de Dourados suspendeu quimioterapia por falta de medicamentos (Foto: Eliel Oliveira)Hospital do Câncer de Dourados suspendeu quimioterapia por falta de medicamentos (Foto: Eliel Oliveira)
Cadeiras vazias no setor de quimioterapia do Hospital do Câncer de Dourados (Foto: Eliel Oliveira)Cadeiras vazias no setor de quimioterapia do Hospital do Câncer de Dourados (Foto: Eliel Oliveira)

Pacientes que fazem tratamento no Hospital do Câncer de Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande, estão sendo mandados de volta para casa sem passar pelas sessões de quimioterapia. O motivo é a crise financeira da unidade, que é gerenciada por uma clínica particular, contratada pelo Hospital Evangélico.

Detentor do credenciamento no Ministério da Saúde para serviços de oncologia a pacientes de Dourados e de pelo menos 30 municípios da região, o Evangélico terceiriza o serviço para a empresa Centro de Tratamento de Câncer de Dourados, que utiliza a estrutura do Hospital do Câncer – unidade do próprio Evangélico – para atender os pacientes.

Sem receber pelos serviços prestados, a empresa não consegue mais comprar os medicamentos usados no tratamento. O Campo Grande News apurou que pelo menos 38 pacientes foram dispensados hoje (7) e até segunda-feira (11) o número deve chegar a cem.

Um dos diretores da clínica, o médico Davi Infante Vieira, informou que a dívida do Hospital Evangélico com a empresa chega a R$ 460 mil. Sem receber pelos serviços prestados, a clínica não consegue pagar os fornecedores e por isso está sem estoque de medicamentos usados nas sessões de quimioterapia.

Uma funcionária do setor financeiro da clínica disse que os atrasos sempre ocorreram ao longo de dois anos, mas se tornaram ainda mais frequentes em 2016. “Neste ano ficou ainda pior. O hospital recebe os recursos do SUS, recebe dos planos de saúde, mas não nos paga. Por isso estamos mandando pacientes com câncer para casa sem as sessões de quimioterapia”, disse ela.

A direção da clínica informou que apesar da crise, não pretende fechar as portas do Hospital do Câncer, já que a unidade continua prestando atendimento de radioterapia. “Estamos conseguindo manter a radioterapia porque o aparelho só precisa de energia elétrica e pelo menos a conta de luz conseguimos pagar”, afirmou a funcionária.

O Hospital Evangélico foi procurado para falar sobre o caso, mas até às 15h30 desta quinta não havia se manifestado. O assessor de imprensa do hospital pediu que as perguntas fossem enviadas pelo e-mail, mas não encaminhou as respostas.

MP quer auditoria – Na semana passada, o MPE (Ministério Público Estadual) pediu investigação do Ministério da Saúde sobre a aplicação de verba pública destinada ao Hospital Evangélico, administrado pela Associação Beneficente Douradense. A unidade particular é credenciada também para atendimento de alta complexidade nas áreas de nefrologia e cardiologia.

De acordo com o promotor Etéocles Brito Mendonça Dias Junior, a fiscalização é necessária diante de denúncias de que o convênio não está sendo cumprido. A recomendação é direcionada ao diretor-chefe do Departamento Nacional de Auditoria do SUS, para que determine, no prazo de 60 dias, uma auditoria extraordinária para verificar a “regular aplicação das verbas recebidas do Fundo Municipal de Saúde anos de 2013, 2014, 2015 e 2016”.

Na recomendação, o promotor cita a “situação financeira reconhecidamente frágil” do Hospital Evangélico em razão de dívidas tributárias e trabalhistas ainda não quitadas. “Dentre essas dívidas há relatos da existência de considerável passivo junto à Caixa Econômica Federal, de parcelas do FGTS não recolhidas do quadro funcional ao longo de anos. O valor total, expressivo, estaria sendo objeto de parcelamento, e supostamente comprometeria a receita mensal do hospital em cerca de R$ 850 mil”, afirma o promotor.



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