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Interior

Paraíso de compras, Pedro Juan faz 121 anos em meio à guerra do tráfico

Além dos tiros de fuzil, cidade separada por uma rua de Ponta Porã enfrenta crise do coronavírus

Por Helio de Freitas, de Dourados | 01/12/2020 09:29
Militares em frente ao principal símbolo entre as cidades-gêmeas Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, quando a fronteira ainda estava fechada (Foto: Arquivo)
Militares em frente ao principal símbolo entre as cidades-gêmeas Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, quando a fronteira ainda estava fechada (Foto: Arquivo)

Com sua história ligada diretamente à erva-mate, a mais brasileira das cidades paraguaias faz aniversário nesta terça-feira, 1º de dezembro. Mas o dia em que chega aos 121 anos de fundação não será de festa em Pedro Juan Caballero, cidade-gêmea de Ponta Porã (MS), a 323 km de Campo Grande.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, haverá pouca comemoração. Para marcar a data, a prefeitura fez ato nesta manhã em frente à Laguna Punta Porã. Foi em torno desse lago que a cidade nasceu, em 1º de dezembro de 1899, quando foi instalada a estação de polícia.

À noite tem serenata virtual organizada pela Escola de Harpas e Guitarras com a participação de talentos artísticos locais.

Com 100 mil habitantes, Pedro Juan Caballero ainda sente os estragos causados na economia pela pandemia e teme novo fechamento das fronteiras paraguaias por causa do vírus, o que deixaria a cidade à beira da falência completa.

Durante sete meses, de março a outubro, a cidade – por décadas foi paraíso de compras dos sul-mato-grossenses e turistas até de outros estados brasileiros – perdeu boa parte de suas lojas e enfrentou desemprego em massa.

Aos poucos os turistas foram voltando, mas a nova onda da covid-19 em quase todo o Brasil é motivo de novas preocupações. Por enquanto o governo paraguaio não discute possível novo fechamento da fronteira. A doença também voltou a crescer no país vizinho, que tem menos casos e menos mortes que Mato Grosso do Sul apesar do dobro da população.

Guerra do tráfico – Enquanto tenta se recuperar da crise provocada pela primeira fase da pandemia, Pedro Juan Caballero vê ameaça de nova guerra entre quadrilhas pelo controle do crime organizado.

Nos últimos dias, a cidade enfrenta nova onda de execuções de pessoas no meio da rua. Esses crimes nunca deixaram de ser praticados nem mesmo no período mais crítico da pandemia, mas o aumento recente das mortes traz uma certeza: tem outra disputa em curso.

Fontes da fronteira afirmam que a chacina de quatro homens ligados ao empresário Fahd Jamil, o “Fuad”, na semana passada, deu largada a mais uma investida do PCC (Primeiro Comando da Capital) para eliminar a última resistência de grupos locais ao domínio da facção brasileira.

A facção foi acusada de tramar a morte de Jorge Rafaat Toumani em junho de 2016 e de quase aniquilar a quadrilha de Jarvis Gimenez Pavão. Ontem, grupos de elite da Polícia Nacional chegaram à cidade para reforçar a segurança e tentar impedir nova matança.

Bandeiras são hasteadas em ato para comemorar aniversário de Pedro Juan (Foto: Divulgação)
Bandeiras são hasteadas em ato para comemorar aniversário de Pedro Juan (Foto: Divulgação)


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