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Interior

Peça-chave em esquema de corrupção na Prefeitura de Maracaju é preso

Servidor comissionado na época do crime, o alvo da ação ajudava a desviar dinheiro dos cofres públicos

Por Geisy Garnes e Helio de Freitas, de Dourados | 27/09/2021 07:36
Propriedade rural em que o servidor público foi preso na tarde deste domingo (26). (Foto: Divulgação)
Propriedade rural em que o servidor público foi preso na tarde deste domingo (26). (Foto: Divulgação)

Funcionário público apontado como peça-chave no esquema de corrupção investigado pela operação “Dark Money”, dentro da Prefeitura de Maracaju – cidade a 160 quilômetros de Campo Grande –, foi preso na tarde deste domingo (26). Edmilson Alves Fernandes, técnico em edificações, integrava a Comissão Permanente de Licitações do município desde 2017 e teria ajudado a desviar mais de R$ 23 milhões dos sofres públicos.

A prisão foi realizada em ação conjunta entre o Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) e a Delegacia de Polícia Civil de Maracaju. Edmilson foi encontrado em uma propriedade rural no município. No local, as equipes apreenderam ainda dois veículos que estavam no local. Ele teria ainda propriedades e veículos agrícolas em seu nome, bens incompatíveis com sua renda.

Edmilson Alves Fernandes foi preso e hoje, está na carceragem da Derf, em Campo Grande. (Foto: Direto das ruas)
Edmilson Alves Fernandes foi preso e hoje, está na carceragem da Derf, em Campo Grande. (Foto: Direto das ruas)

Conforme apurado pela reportagem, a prisão do servidor foi decretada após o depoimento de Iasmin Cristaldo Cardoso, presa quarta-feira (22), durante a primeira fase da operação. Segundo a polícia, foi constatado que o servidor tinha papel fundamental no esquema de corrupção, que ocorreu entre novembro de 2019 e 2020.

Edmilson era servidor comissionado e em 2017, foi nomeado pelo o ex-prefeito Maurílio Azambuja (MDB), de 73 anos, também preso na operação, para integrar a Comissão Permanente de Licitações. Juntos, tiravam valores da conta oficial da prefeitura, alegando que era para a folha de pagamento e enviavam à conta paralela aberta por eles.

Segundo as investigações, foram mais de R$ 23 milhões desviados. Esse valor era retirado dos cofres públicos “aos poucos”. Pelo menos 600 cheques com valor médio de R$ 38 mil foram transferidos pelos envolvidos no esquema, o que para a polícia era uma tentativa de fugir nas notificações oficiais do Banco Central.

A operação prendeu temporariamente sete pessoas na quarta-feira, entre elas, Daiana Cristina Kuhn, Iasmin Cristaldo Cardoso, Pedro Everson Amaral Pinto, Fernando Martinelli Sartori e Moisés Freitas Victor. O ex-prefeito Maurílio Azambuja ficou foragido por dois dias e se apresentou a polícia na noite sexta-feira (24).

Edmilson está preso preventivamente e permanece na carceragem da Derf (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furto e Roubo). Outros três investigados tiveram a prisão temporária convertida em preventiva, que não tem prazo para terminar, e outras três foram transformadas em medidas cautelares, no caso, monitoramento por tornozeleira eletrônica. A sétima prisão segue temporária e termina na terça-feira (28).

Além disso, mais de 26 mandados de buscae apreensão foram cumpridos pela polícia e resultaram na apreensão de smartphones, computadores, documentos, dez veículos, um barco com carretinha, joias, discos rígidos e várias cédulas de cheque, que somaram R$ 109 mil. Também foram recolhidos R$143 mil em espécie, uma arma de fogo e munições de vários calibres. Diversas contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas também foram bloqueadas.

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