“Pedi para cuidar do meu filho”, diz sargento baleado durante confronto
Darlan Leal de Freitas, de 40 anos, foi atingido durante abordagem ligada a suspeita de tribunal do crime
"Eu me despedi da minha esposa e pedi só para ela cuidar do meu filho.” Foi esse o pensamento do sargento Darlan Leal de Freitas, de 40 anos, ao ser socorrido após ser baleado durante uma ocorrência policial na noite de domingo (28), em Água Clara, a 190 quilômetros de Campo Grande. Ferido durante uma abordagem ligada à suspeita de “tribunal do crime”, ele contou ao Campo Grande News que chegou a acreditar que não sobreviveria.
RESUMO
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Sargento da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, Darlan Leal de Freitas, de 40 anos, foi baleado no ombro e no pescoço durante abordagem a suspeitos de promoverem um tribunal do crime em Água Clara. Antes de perder a consciência, ele ligou para a esposa para se despedir. Após atendimento, foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande. Um suspeito morreu e foram apreendidos 28,7 quilos de maconha.
Segundo o sargento, a equipe recebeu, no domingo, a informação por volta das 22h30 de que estaria ocorrendo uma situação de julgamento promovido por facção criminosa. A denúncia apontava que dois homens teriam sido sequestrados por suspeitos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e levados para serem julgados sob acusação de integrarem o Comando Vermelho.
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A partir das informações sobre o possível sequestro e sobre o veículo usado pelos suspeitos, um Fiat Uno azul antigo, os policiais iniciaram buscas pela região. Durante as rondas, a equipe localizou um carro com as características repassadas. A tentativa de abordagem, porém, terminou em confronto.
“Ao tentar realizar a abordagem, na hora em que nos aproximamos do veículo, a gente já foi recebido a tiros. A princípio, a gente não tinha nem descido da viatura ainda. Eles já receberam a gente a tiros”, afirmou o sargento.
Darlan disse que foi atingido logo ao desembarcar da viatura. Segundo ele, foram dois disparos. Apesar das lesões, ele afirmou que não precisou passar por cirurgia.
“Na hora em que eu desembarquei da viatura, fui atingido por dois disparos. Um atingiu meu ombro direito, onde o projétil transfixou e não ficou alojado. O outro atingiu meu pescoço, acertando a minha mandíbula do lado direito, e o projétil também transfixou para o lado esquerdo da mandíbula”, contou.
Mesmo ferido, o sargento relatou que a troca de tiros continuou por alguns instantes, até que os colegas perceberam a gravidade da situação e o colocaram novamente na viatura para levá-lo ao Hospital Municipal de Água Clara.
“No hospital, passei por procedimentos médicos, conseguiram sanar a hemorragia e conseguiram uma vaga zero para eu me deslocar para fazer procedimentos específicos”, disse. Depois, ele foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande.
Durante o trajeto até o hospital, Darlan afirma que pensou na família. Pai de um menino de 6 anos, ele ligou para a esposa antes de ficar desacordado.
“Para ser bem sincero, na hora em que eu estava sendo socorrido, a primeira coisa que pensei foi que eu ia morrer. Eu até cheguei a fazer uma ligação para minha esposa antes de ficar desacordado. Fiz uma ligação para minha esposa, me despedi dela e falei só para ela cuidar do meu filho”, lembrou.
O sargento contou que perdeu muito sangue e que, durante o deslocamento de aproximadamente dois quilômetros até o hospital, acreditou que não resistiria. “Foi a única coisa que fiz, porque achei que não ia dar certo”, disse.
Segundo Darlan, a vítima que seria submetida ao “tribunal do crime” também estava no local e foi baleada no ombro, mas acabou socorrida. Para ele, a ação da equipe impediu que o homem fosse morto naquela noite.
“A vítima do tribunal do crime também estava lá. Ele foi baleado com um tiro no ombro, mas foi socorrido logo em seguida. Conseguiram resgatar ele, socorrer ele, salvaram ele. Ele ia morrer naquele dia”, afirmou.
Na sequência da ocorrência, os policiais chegaram até a residência de um dos suspeitos, identificado como Klesley Santos Coelho, de 22 anos, conhecido como “Cabuloso”. Conforme a versão policial, ele teria sacado uma arma ao notar a chegada da equipe e acabou atingido. O suspeito foi socorrido, mas morreu durante o deslocamento para atendimento médico. Na casa, foram apreendidos 28,7 quilos de maconha.
Sonho de infância - Darlan é policial militar desde 2015. Ele passou a cabo em 2022 e foi promovido a sargento em 2023. Antes do episódio em Água Clara, disse nunca ter sido ferido gravemente em serviço.
“Eu nunca tinha sido ferido no trabalho. Somente, como fui motociclista do trânsito durante seis anos, tive quedas. Mas grave mesmo foi a primeira situação”, contou.
Apesar do susto, o sargento afirma que pretende voltar ao trabalho. Ele reconhece o risco da profissão, mas diz que seguirá na carreira que escolheu desde criança.
“Receio a gente sempre tem que ter, porque é uma profissão de risco. Mas vamos continuar trabalhando normalmente e, como eu falei, com mais precaução, mais cuidado. Eu gosto de ser policial. É um sonho de infância. Vou continuar trabalhando”.
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