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Economia

Governador admite implodir pontes após queda e alerta para cargas pesadas

Estudo avaliará estruturas da mesma época; resultado deve ser apresentado em até dois meses

Por Anderson Viegas e Fernada Palheta | 14/08/2026 09:57
Governador admite implodir pontes após queda e alerta para cargas pesadas
Ponte desabou na quinta-feira (13), provocando a morte de uma pessoa e interrompendo o tráfego no trecho (Foto: Reprodução)

O governador Eduardo Riedel (PP) afirmou nesta sexta-feira (14) que Mato Grosso do Sul poderá implodir pontes consideradas inseguras caso uma avaliação técnica conclua que as estruturas não podem ser recuperadas. A declaração foi feita durante a participação dele no projeto Café & Política, após o desabamento da ponte sobre o Rio Taquari, na MS-214, em Coxim, que provocou a morte de um motorista na quinta-feira (13).

RESUMO

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O governador Eduardo Riedel afirmou que Mato Grosso do Sul poderá demolir pontes consideradas inseguras após avaliação técnica, depois do desabamento da ponte sobre o Rio Taquari, em Coxim, que matou um motorista. O Estado contratou estudo para definir se as estruturas precisam de reforço ou implosão. Riedel citou desgaste da malha antiga, aumento de cargas pesadas e quatro quedas de pontes em pouco mais de dez anos.

Segundo Riedel, sete pontes foram construídas pela mesma empresa. O governador afirmou que três delas já caíram. A Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) contratou uma empresa de engenharia especializada para avaliar as demais estruturas. “Se a gente tiver que implodir, nós vamos implodir. Eu não sei. Nós vamos ter que fazer essa avaliação técnica e discutir”, declarou.

O estudo deverá indicar se as pontes poderão receber reforço estrutural ou se precisarão ser demolidas. A previsão é que a análise seja concluída dentro de um ou dois meses. “A gente contratou uma empresa de engenharia especializada para saber se vai implodir ou não, ou se tem como fazer reforço. É a análise técnica que pedimos”, explicou Riedel.

Governador admite implodir pontes após queda e alerta para cargas pesadas
Governador hoje durante o Programa Café & Política, em Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)

Infraestrutura antiga e cargas mais pesadas

Ao comentar a segurança das estruturas, Riedel relacionou o problema ao aumento do peso transportado pelas rodovias estaduais. Segundo ele, Mato Grosso do Sul possui veículos com nove eixos e cargas superiores a 100 toneladas circulando sobre uma infraestrutura construída há cerca de 20 anos.

“Nós já estamos com um treminhão de nove eixos, de cento e poucas toneladas, com uma infraestrutura de 20 anos atrás que não está preparada para isso. É um problema sério, falando de rodovias e de pontes”, afirmou.

O governador também comparou a fiscalização brasileira com a do Paraguai, país que, segundo ele, mantém controle mais rígido sobre o peso das carretas nas rodovias.

A discussão ocorre em um período de expansão do transporte de cargas em Mato Grosso do Sul, impulsionada por atividades como celulose, mineração, agricultura e pecuária.

 Recentemente, a Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) autorizou, em caráter experimental, a circulação de hexatrens da Suzano em seis trechos não pavimentados de rodovias estaduais.

As composições podem chegar a 60 metros de comprimento e foram desenvolvidas com CMT (Capacidade Máxima de Tração) de até 250 toneladas. A autorização, entretanto, não informa o peso que será admitido durante os testes nas vias públicas.

A operação depende da concordância do órgão responsável pelas rodovias e da apresentação de estudos sobre a capacidade estrutural e geométrica dos trajetos, incluindo pontes, bueiros e outras estruturas. A Suzano também ficará responsável por eventuais danos provocados durante a circulação experimental.

Reconstrução pode superar R$ 40 milhões

Riedel afirmou que o Estado ainda não possui um diagnóstico completo sobre as intervenções necessárias na ponte que desabou em Coxim. Segundo ele, a reconstrução poderá custar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões, mas o valor ainda é preliminar.

“Essa do Taquari é uma ponte longa, uma ponte grande. Eu ainda não tenho diagnóstico do que será necessário para recompor aquele acesso, mas não fica menos de R$ 40 milhões ou R$ 50 milhões”, declarou.

No caso da ponte sobre o Rio do Peixe, que desabou em fevereiro na MS-080, em Rio Negro, o Estado contratou emergencialmente uma nova estrutura por R$ 13,28 milhões. O prazo previsto para a execução é de 360 dias. Enquanto a obra definitiva não é concluída, uma ponte metálica provisória atende o trecho.

Quatro quedas em pouco mais de dez anos


Em pouco mais de dez anos, quatro pontes estaduais desabaram em episódios registrados em Guia Lopes da Laguna, Jardim, Rio Negro e Coxim.

O primeiro caso ocorreu em janeiro de 2016, na MS-382, em Guia Lopes da Laguna. A ponte sobre o Rio Santo Antônio havia sido inaugurada em abril de 2012 e desabou com menos de quatro anos de uso. Uma perícia posterior identificou problemas de projeto, execução e dimensionamento.

Em fevereiro de 2018, parte da ponte sobre o Rio dos Velhos, na zona rural de Jardim, também cedeu. Um laudo contratado pela Agesul apontou falhas de projeto e condições insuficientes de segurança e estabilidade.

Em fevereiro de 2026, parte da ponte sobre o Rio do Peixe, na MS-080, em Rio Negro, desabou durante a passagem de uma carreta bitrem. O motorista não ficou ferido.

O caso mais recente ocorreu na quinta-feira, em Coxim. A ponte sobre o Rio Taquari desmoronou durante a passagem de um caminhão. O motorista morreu e um passageiro conseguiu escapar.