ACOMPANHE-NOS    
AGOSTO, SÁBADO  15    CAMPO GRANDE 28º

Interior

“Pensamos que ia rezar”, diz frei sobre homem que invadiu igreja e se matou

Antes de atentar contra a própria vida, homem matou ex-esposa e ainda feriu quatro pessoas a tiros

Por Liniker Ribeiro | 13/07/2020 15:28
Paróquia São José Operário vista do alto (Foto: Reprodução/Facebook)
Paróquia São José Operário vista do alto (Foto: Reprodução/Facebook)

Em nota divulgada nesta segunda-feira (13), frei Silvio José dos Santos, da Igreja São José Operário, em Dourados, a 233 km da Capital, explicou que membros da igreja que estavam no local no momento em que chegou Rosemir Fernandes de Souza, o homem que atentou contra a própria vida após matar a ex-esposa e atirar contra outras quatro pessoas, na noite de ontem (12), acreditaram que ele entraria para rezar.

“Por volta das 18h40 um homem chegou de moto e aproximou-se, aparentando estar muito conturbado. Ele adentrou a igreja e pensamos que iria rezar”, explica em trecho da nota. “Mas começou a dizer que havia feito ‘uma bobagem’, foi até ao presbitério e sentou-se nos degraus”, continua.

Ainda conforme a mensagem, não havia nenhuma outra pessoa no interior da igreja, quando tudo aconteceu. Na ocasião, era realizada a Comunhão, processo que, devido à pandemia, está sendo realizado no modo drive thru. Por isso, fiéis e membros da igreja estavam na área externa da paróquia.

“Nenhuma das 7 pessoas (dois freis, uma funcionária e quatro ministros que auxiliavam na coleta e na comunhão na calçada e no átrio da igreja) que estavam presentes foram ameaçadas ou ficaram feridas”, segue a mensagem.

Logo após o ocorrido, o local foi fechado e a entrada de pessoas bloqueada, conforme a nota.

Antes de concluir, o pároco lamentou o ocorrido. “Com muito pesar lamentamos profundamente o fato e nos solidarizamos com as vítimas e suas famílias”.

Tragédia - Em entrevista ao Campo Grande News, frei Silvio José dos Santos contou que o homem chegou ao local em uma motocicleta, estacionou na Avenida Joaquim Teixeira Alves, e veio em sua direção. “Eu fui ao encontro para entregar a eucaristia, mas ele levantou a mão e disse ‘Padre, me perdoa, eu fiz uma bobagem’, entendi que ele não queria receber a comunhão, mas entraria na igreja para rezar”, disse.

Logo depois, segundo relato do pároco, ninguém estava no interior da igreja. Ele se sentou   colocou o capacete de lado. Ele estava no espaço que dá acesso ao altar. Vi que ele começou a mexer bastante em alguma coisa, parecia ser uma sacola no rumo de sua calça. Parecia que ele observava que eu também estava observando ele”, revelou.

Logo depois, Rosenir começou a falar alto, conforme frei Silvio. “Ele dizia, me perdoa, eu matei oito pessoas, eu matei uma criança”. Neste momento, o religioso avistou a arma próximo ao rapaz.

“Estava no degrau, gritei e falei ‘calma, moço, eu vou te atender.  Não faça isso, eu vou falar com você”. Mesmo assim, o homem posicionou a arma na altura da cabeça e disparou.

O religioso diz ainda ter ordenado o fechamento da igreja logo após o ocorrido. “Também tomei a decisão de não permitir nenhum veículo de imprensa, nada contra, apenas queríamos preservar nosso paroquianos de uma imagem tão trágica, em um momento de pandemia, onde as pessoas estão impedidas de vir até a igreja”, ressalta.

Caso - Lucineide Maria dos Santos Ortega, de 51 anos, foi morta com tiro na cabeça, na noite de ontem. Ela estava em casa, na Rua Rangel Torres, no Jardim Piratininga, quando tudo aconteceu. Outras quatro pessoas, incluindo duas crianças, de 4 e 10 anos, estavam no local e também foram atingidas por disparos.