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Piloto de avião que fez pouso forçado é investigado por narcotráfico

Wadson Ranielly Fernandes chegou a ser preso em agosto de 2017 na Operação Ícaro e foi alvo da Operação Teto Baixo, em 2019

Por Helio de Freitas, de Dourados | 10/06/2020 14:25
Wadson Ranielly Fernandes (à direita) e Wellinton José Magalhães Silva, no dia em que foram presos, em agosto de 2017 (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)
Wadson Ranielly Fernandes (à direita) e Wellinton José Magalhães Silva, no dia em que foram presos, em agosto de 2017 (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)

O avião monomotor Cessna Aircraft prefixo PT-KRE que sofreu pane e fez pouso forçado nesta quarta-feira (10) em Dourados, a 233 km de Campo Grande, estava sendo pilotado por Wadson Ranielly Fernandes, 38. Morador na Capital, o piloto é investigado há pelo menos quatro anos por envolvimento com o narcotráfico e já foi alvo de duas operações policiais.

Wadson estava sozinho no avião, que aterrissou na área das indústrias de óleo de soja da Coamo, na margem da BR-163, entre Dourados e Caarapó. Com ferimentos leves, ele foi socorrido por funcionários da cooperativa e recebeu os primeiros socorros da equipe médica da indústria. Depois foi levado para o Hospital da Vida, em Dourados.

Consulta feita no site da Anac (Agência Nacional de Avião Civil) mostra que o avião está registrado em nome de Miranda Gomes de Sousa. Com capacidade de transportar 1.720 quilos, o Cessna foi fabricado em 1975 e não tem autorização para operar como táxi aéreo.

O piloto campo-grandense Wadson Ranielly Fernandes (Foto: Reprodução)
O piloto campo-grandense Wadson Ranielly Fernandes (Foto: Reprodução)

Operações – Em agosto de 2017, Wadson Ranielly Fernandes e Wellinton José Magalhães Silva foram presos em um hangar em São Gabriel do Oeste e denunciados pela Deco (Delegacia Especializada de Repressão do Crime Organizado) no âmbito da Operação Ícaro, acusados de adulterar aeronaves para que pudessem voar por muito tempo a longas distâncias sem precisar abastecer. O objetivo seria não dar brecha para que as forças de segurança conseguissem flagrar carregamentos de drogas, segundo a denúncia apresentada contra eles e mais sete pessoas.

A investigação tinha começado no final de 2016, quando Wadson Fernandes registrou furto de aeronave do Aeroporto Teruel, em Campo Grande. Ele dizia que o hangar onde ficava o avião bimotor modelo Baron prefixo PT-WMV havia sido arrombado.

Em contato com polícias de outros Estados, a Deco descobriu que avião com características semelhantes pilotado por um paranaense tinha caído na Bolívia. O passageiro Robson Nunes, de 18 anos, morador de Ponta Porã, morreu no acidente e Luiz Tizzo, o piloto, desapareceu.

Para a polícia, Wadson tentava justificar o sumiço do avião denunciado o suposto furto e depois tentou “clonar” a aeronave, usando outro avião, trazido do Amazonas, que estava sendo pintado e adulterado para substituir o Baron que caiu na Bolívia.

Em outubro do ano passado, Wadson Fernandes voltou a entrar no radar da polícia. A Operação Teto Baixo, da Polícia Federal, investigou quadrilha que adulterava e clonava aviões em Mato Grosso do Sul para transporte de drogas.

De acordo com a investigação, a base de operações da organização criminosa funcionava em São Gabriel do Oeste até que a Operação Narcos, deflagrada pela Polícia Civil em agosto de 2017, desarticulou o esquema e prendeu líderes do grupo. Entretanto, a quadrilha se reorganizou e transferiu a estrutura para Santarém, no Pará.

No dia 17 de outubro de 2019 foram cumpridos 30 mandados de prisão preventiva, 6 de prisão temporária, 27 de busca e apreensão, 7 mandados de bloqueio/suspensão de regularização de imóvel rural e 36 mandados de sequestro/bloqueio de bens, incluindo 18 aviões, imóveis, propriedades rurais e mais de R$ 290 milhões de contas bancárias em nome de 36 investigados.

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