ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
AGOSTO, SÁBADO  22    CAMPO GRANDE 16º

Interior

“Por segurança”, irmãos do jogo do bicho ganham cela privada em presídio lotado

Agepen alega que Jorge e Rafael Razuk estão em cela da Cadeia Linear por risco após operações contra a família

Por Ana Paula Chuva e Helio de Freitas, de Dourados | 22/08/2026 12:36
“Por segurança”, irmãos do jogo do bicho ganham cela privada em presídio lotado
Jorge (à esquerda) e Rafael (à direita) ambos presos na PED (Foto: Reprodução)

A gestão da PED (Penitenciária Estadual de Dourados), na cidade a 251 quilômetros de Campo Grande, é alvo de denúncia por suposto favorecimento aos irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. Enquanto a unidade prisional, considerada a maior de Mato Grosso do Sul, convive com superlotação, os dois estariam ocupando sozinhos uma das celas que teria capacidade de mais detentos.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, presos na Penitenciária Estadual de Dourados durante a Operação Successione por suspeita de liderar organização criminosa ligada a jogos de azar, ocupam cela isolada na unidade. A Agepen nega privilégios e afirma que o isolamento decorre de reclassificação de risco. O pai, ex-deputado Roberto Razuk, cumpre prisão domiciliar por saúde, e o irmão Neno foi preso na Bolívia em agosto.

Segundo informações repassadas ao Campo Grande News, antes de irem para a cela onde estão, os irmãos também teriam permanecido no Raio IV, ala voltada ao atendimento de saúde da PED, mesmo sem apresentar quadro clínico que justificasse a permanência. A movimentação gerou questionamentos na própria estrutura hierárquica da penitenciária até que eles fossem transferidos para o novo alojamento.

Procurada pela reportagem, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) confirmou a permanência dos dois no local isolado, mas negou privilégios. Segundo o órgão, os custodiados estavam anteriormente em cela de convívio com outros presos e foram isolados na Cadeia Linear após nova classificação de risco, por conta das últimas operações policiais envolvendo seus familiares.

“A medida integra estratégias de segurança orgânica e critérios operacionais da unidade para prevenir riscos e manter a ordem no ambiente prisional”, disse em nota.

"Clã Razuk"

Os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk foram presos em 25 de novembro de 2025, durante a 4ª fase da Operação Successione. Na mesma ofensiva, também foi detido o pai deles, o ex-deputado estadual Roberto Razuk, em casa, em Dourados. Na ocasião, Neno não foi alvo da ordem de prisão porque ainda exercia mandato parlamentar e tinha foro privilegiado.

Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o pai, Roberto Razuk, e os filhos Jorge e Rafael formariam o chamado núcleo duro de uma organização criminosa ligada à exploração de jogos de azar. A Operação Successione apurou, ainda, suspeitas de roubo, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro. As defesas negam a existência da organização criminosa e afirmam que as acusações serão contestadas na Justiça.

As investigações indicam que o grupo não estaria limitado às tradicionais bancas do jogo do bicho. Conversas analisadas pelo Gaeco mostrariam o interesse em testar um sistema híbrido de apostas, chamado de “jogo do bichinho”, que funcionaria presencialmente e pela internet, em máquinas semelhantes às utilizadas para pagamentos com cartão. Um dos sistemas permitiria sorteios a cada cinco minutos.

Os diálogos também apontariam planos de expansão para o Paraguai. Segundo a denúncia, um áudio compartilhado por Rafael Razuk tratava da possibilidade de financiar a exploração de uma modalidade semelhante ao jogo do bicho em território paraguaio, por meio da aquisição de uma empresa licenciada. Para os promotores, a conversa demonstraria a intenção de aproveitar no exterior a experiência adquirida pelo grupo na atividade clandestina no Brasil.

A 4ª fase da operação cumpriu 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de cidades do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. Foram apreendidos documentos, celulares, armas, munições, máquinas usadas nos jogos, cheques, moedas estrangeiras e R$ 274,9 mil em dinheiro.

De acordo com o Gaeco, o material indicaria a existência de uma estrutura com divisão de funções, controle financeiro e estratégias de expansão. A investigação também cita a apreensão de mais de 700 máquinas de apostas e documentos sobre a compra de bens móveis e imóveis em nome de terceiros, supostamente utilizados para ocultar a origem de recursos.

O pai, Roberto Razuk, também foi detido, mas cumpre prisão domiciliar por motivos de saúde. Já Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, foi capturado no dia 2 de agosto deste ano na Bolívia.


Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.