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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

06/01/2016 17:36

Sem conciliação, índios têm até dia 20 para deixar área em fazenda

Caroline Maldonado

Acampados há pouco mais de um ano em uma fazenda em Caarapó, a 283 quilômetros de Campo Grande, cerca de 80 índios Guarani Kaiowá se recusam a deixar a área mesmo sob ameaça de despejo, que pode ocorrer a partir do dia 20 de janeiro. Depois de uma tentativa de conciliação frustrada, a Justiça determinou essa data para as famílias saírem da fazenda Nossa Senhora Aparecida sem o uso de força policial, mas os indígenas já disseram que não pretendem deixar do local, chamado de Tey'i Jusu. 

Eles estão ali desde dezembro de 2014, reivindicando a expansão da área da aldeia Tey'i Kue, pequena para a comunidade, que alega que o entorno também é terra tradicional, pois pertenceu aos seus ancestrais, antes de o Governo Federal conceder títulos de propriedade a colonos, transferindo as famílias para outros espaços, chamados de Reserva Indígena ou aldeia, na década de 1950. 

Segundo o coordenador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Dourados, Vander Aprecido Nishijima, houve uma audiência de tentativa de conciliação em dezembro, mas o advogado que representava o proprietário da fazenda não aceitou a proposta do juiz de permitir que os índios continuassem onde estão. A área faz parte de estudo antropológico concluído e enviado à Justiça.

“A Funai já impetrou mando de segurança no STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro ainda não se manifestou. Juridicamente, os passos que a Funai podeira adotar, já adotou. Pode ser que aconteça como em Antonio João, em que foi permitido pela Justiça a permanência dos índios. De qualquer, forma dia 20 é o prazo”, explicou Vander. 

A assessoria de imprensa do TRF3 informou que há processos relacionados a demarcação de terras indígenas na região de Caarapó, mas nenhum deles possui decisão recente. No entanto, a Funai e a liderança dos índios confirmou que foi determinado prazo para que a área seja desocupada.

Resistência – Segundo uma liderança da ocupação, que preferiu não se identificar, a decisão dos índios é permanecer na área, mesmo com intervenção policial. Eles decidiram ocupar o local, fazendo o que chamam de “retomada”, por conta do desmatamento e uso de agrotóxicos em lavouras.

Com a ocupação, as famílias querem proteger a área na esperança de que os estudos antropológicos resultem em demarcação. “A comunidade se recusa a sair de seu território sagrado e pretende resistir até o último momento”, disse o líder.

Perto dali, há outro acampamento chamado Itagua, para o qual houve decisão de reintegração de posse pelo proprietário da fazenda, porém derrubada no TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).

Em Tey'i Jusu, os índios já fizeram denuncias de ataques de pistoleiros desde os primeiros dias da ocupação. Segundo a comunidade, no dia 8 de dezembro de 2014, uma menina foi baleada e o corpo foi levado pelos homens, que ocupavam várias caminhonetes.

No dia 16 do mesmo ano, foram detidos pelos indígenas quatro homens armados que fizeram investidas. Eles foram entregues à polícia, depois que a Funai foi acionada. Em março de 2015, a comunidade denunciou despejo de agrotóxico sobre o acampamento. No fim do ano, os índios relataram que aviões despejaram veneno sobre o rio e as famílias.



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