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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

25/11/2015 16:11

Sem resposta rápida, índios decidem manter ocupação na Assembleia

Thiago de Souza e Alan Diógenes
Venício Jorge diz que ocupação é pacífica e pede resposta rápida do Governo. (Foto: Gerson Walber)Venício Jorge diz que ocupação é pacífica e pede resposta rápida do Governo. (Foto: Gerson Walber)
390 cruzes lembram assassinato de 390 indígenas em conflito por terras. (Foto: Gerson Walber)390 cruzes lembram assassinato de 390 indígenas em conflito por terras. (Foto: Gerson Walber)

O porta-voz da Aldeia Córrego do Meio, em Sidrolândia, Venício Jorge, afirmou, na tarde de hoje (25), que os 170 indígenas devem prosseguir com a ocupação da Assembleia Legislativa até a manhã dessa quinta-feira (26). Os índios cobram uma resposta mais rápida do Governo do Estado sobre processos de demarcação de terras indígenas e o fim da CPI do Cimi.

Também nesta tarde, os índios se reuniram com o deputados Cabo Almi (PT), Felipe Orro ( PDT) , Zé Teixeira (DEM) e Antonieta Amorim (PMDB), que acionaram o Governo Estadual que por sua vez agendou uma reunião para a próxima quarta ou quinta-feira da próxima semana.

Porém a proposta não convenceu os índios, que cobram uma resolução mais rápida do impasse e devem permanecer na Assembleia Legislativa, porém de forma pacífica. “Nós não queremos confronto. Somos pessoas de bem e não queremos baderna”, declarou Venício Jorge.

Os índios também disseram que aguardam a presença do coronel Albensio Campos que vai negociar a permanência deles no local. “Se o coronel pedir pra nós sairmos, vamos sair”, informou Jorge. 

Outra reivindicação dos indígenas é quanto ao nome da comissão parlamentar de inquérito que investiga a morte de índios no Estado. Os parlamentares mudaram o nome da CPI do Genocídio para CPI da Ação de Omissão do Governo Estadual e Federal no Caso de Violência Contra Indígenas.

Os índios dizem que os deputados tiraram o termo genocídio por considerar uma palavra muito forte. Porém diante dos casos de violência, para eles o termo é adequado. 

Já os deputados alegam que a mudança de nome traz uma abordagem mais ampla para a questão e que abrange todas as reivindicações dos nativos. Genocídio simplesmente iria tratar somente dos casos de mortes e não da demarcação de terras e outras questões, teria dito um parlamentar para Venício Jorge. 

Outra proposta dos deputados estaduais aos índios é o uso de recursos do Fepat (Fundo Estadual de Apoio a Regularização de Terras Indígenas) para indenizar proprietários rurais que deixariam as fazendas demarcadas como áreas indígenas.

Segundo o porta-voz dos indígenas, o número de índios que ocupam o saguão da Assembleia Legislativa é de 170. Eles são de etnias Terena e Kadiwéu e vem das aldeias Córrego do Meio, Bananal, Moreira e Alves de Barros.

390 cruzes foram colocadas no gramado da Assembleia Legislativa em alusão aos 390 indígenas assassinados em conflito por terras nos últimos 12 anos no Estado. 

Este ano completa 32 anos do assassinato do líder indígena guarani Marçal de Souza.



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