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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

05/07/2016 10:43

Sequestro de policial por grupo terrorista paraguaio faz dois anos hoje

Suboficial Edelio Morínigo foi sequestrado pelo EPP na região de Horqueta, departamento Concepción, a 200 km de Ponta Porã

Helio de Freitas, de Dourados
O policial em vídeo que gravou no cativeiro, sob a mira dos guerrilheiros (Foto: Reprodução/ABC)O policial em vídeo que gravou no cativeiro, sob a mira dos guerrilheiros (Foto: Reprodução/ABC)
Edelio Morínigo é considerado prisioneiro de guerra pelo EPP (Foto: Divulgação)Edelio Morínigo é considerado prisioneiro de guerra pelo EPP (Foto: Divulgação)
Obdulia Florenciano, mãe do policial sequestrado (Foto: ABC Color)Obdulia Florenciano, mãe do policial sequestrado (Foto: ABC Color)

O mais longo sequestro da história do Paraguai completa dois anos nesta terça-feira (5). O suboficial da Polícia Nacional Edelio Morínigo, 27, está em poder do grupo terrorista EPP (Exército do Povo Paraguaio), que atua nos departamentos (equivalentes a estado) de San Pedro, Concepción e Amambay.

Familiares mantêm a esperança de que Edelio ainda esteja vivo. Para o EPP, ele é um “prisioneiro de guerra”.

Edelio foi sequestrado pelos terroristas do EPP na cidade de Horqueta, departamento de Concepión, quando foi visitar os pais, no distrito de Arroyto. Ao sair da casa da mãe, Edelio prometeu que no dia seguinte voltaria, para comer franco caipira. Mas ele nunca mais foi visto pela mãe.

A mulher do policial, Elisa Ledesma, disse que no sábado, 5 de julho de 2014, Edelio saiu para caçar com um grupo de amigos. Na mata, o grupo se encontrou com homens do EPP, que levaram todos como reféns.

Os amigos de Edelio foram libertados horas depois, mas o policial foi mantido em poder do grupo terrorista, que já assumiu assassinatos de agentes da Polícia Nacional e até de um pecuarista brasileiro que criava gado no Paraguai.

No ano passado, o EPP explodiu torres de transmissão de energia em San Pedro e deixou a cidade de Pedro Juan Caballero às escuras.

Primeiro sequestrado – De acordo com o jornal ABC Color, que na edição desta terça-feira publicou reportagem especial de página inteira sobre a história, com o sequestro de Edelio Morínigo o EPP iniciou uma nova forma de terror no Paraguai. Depois dele várias outras pessoas foram sequestradas e algumas permanecem no cárcere.

Em entrevista ao jornal paraguaio, a mãe de Edelio, Obdulia Florenciano, acusa os companheiros de caça de seu filho de entregarem o policial para o grupo terrorista. “Eles não são amigos, eram seus inimigos”.

Obdulia também desconfia da nora, Elisa, e pediu para a polícia investigar a mulher. Elisa foi entrevistada pelo jornal Última Hora e negou envolvimento. Disse que passa pelo mesmo drama da mãe de Edelio.

Moeda de troca – Em setembro de 2014, o EPP deixou uma carta em um local ermo do Paraguai, informando que usaria o policial como moeda de troca, para libertar membros do grupo condenados pela Justiça por sequestro e assassinatos. O governo não aceitou a negociação.

Um mês depois, o grupo terrorista enviou um vídeo em que Edelio aparecia ao lado de outro refém, o adolescente Arlan Fick Bremm, 17, filho dos brasileiros Alcido e Melania Fick Bremm. O rapaz passou 267 dias em poder EPP e foi libertado em dezembro de 2014, após a família pagar o resgate.

Após ser libertado, Arlan disse que estava dividindo cativeiro com o policial. Depois disso não houve mais prova de que Edelio esteja vivo.

“As pessoas vivem com medo aqui, ninguém diz nada, como se nada estivesse errado. Sabemos que tipos de pessoas são aqueles que estão por trás de tudo", disse Obdulia. Edelio é o quinto dos 12 filhos dela.

Prisioneiro de guerra – Nesta terça, o ministro do interior do Paraguai, Francisco de Vargas, disse que o EPP trata Edelio como “prisioneiro de guerra”.

Pressionado pela imprensa paraguaia, Vargas apontou dificuldade do governo em combater o grupo terrorista, principalmente porque a guerrilha usa escudos humanos e recebe proteção dos moradores. “Não é fácil um plano para libertá-lo, porque seria o primeiro que matariam”, disse o ministro.



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