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Interior

Traficante acusado de matar Rafaat vivia “no luxo” em presídio paraguaio

Jarvis Gimenez Pavão, transferido após plano de fuga, fez reformas em presídio e na sala do diretor e mantinha “excentricidades”, como coleção de sapatos e uma farmácia particular em cela

Por Helio de Freitas, de Dourados | 28/07/2016 17:43
Tênis esportivos e uma pequena cesta de basquete encontrados em cela (Foto: Última Hora)
Tênis esportivos e uma pequena cesta de basquete encontrados em cela (Foto: Última Hora)
Coleção de bolas de vários esportes (Foto: Última Hora)
Coleção de bolas de vários esportes (Foto: Última Hora)
Coleção de livros e DVDs (Foto: Última Hora)
Coleção de livros e DVDs (Foto: Última Hora)
Guitarra autografada (Foto: Última Hora)
Guitarra autografada (Foto: Última Hora)

Uma vida de luxo, com direito a excentricidades como uma coleção de bolas esportivas, tênis e chuteiras, livros, DVDs e até um violão autografado. Tudo isso em um espaço recentemente reformado e decorado, com ar condicionado e até com uma farmácia particular.

Essa foi a cena que jornalistas paraguaios registraram nesta quinta-feira (28) naquela que deveria ser a cela de reclusão do narcotraficante brasileiro Jarvis Gimenez Pavão no presídio de Tacumbú, em Assunção, capital do Paraguai.

Pavão é acusado de ser o mandante da execução do também narcotraficante Jorge Rafaat Toumani, ocorrida no dia 15 de junho deste ano em Pedro Juan Caballero. Ele teria se unido a facções criminosas brasileiras para assumir o lugar de Rafaat no controle do tráfico de drogas na fronteira.

Preso no país vizinho em 2008 acusado de tráfico internacional, o pontaporanense Jarvis Pavão foi transferido terça-feira à noite para um quartel da Polícia Nacional após a descoberta de um plano para sua fuga que envolvia a explosão do muro do presídio com dinamite.

Até ministra caiu – A transferência provocou uma crise política e a ministra da Justiça, Carla Bacigalupo, foi demitida pelo presidente Horácio Cartes após suspeitas da ligação dela e de sua equipe com o plano de fuga.

Quando soube dos planos de Pavão, Cartes mandou transferi-lo para o quartel, mas Carla Bacigalupo apresentou uma ordem judicial, assinada por um juiz que também será investigado, e atrapalhou a transferência. No mesmo dia Pavão foi levado para a sede da polícia e a ministra perdeu o cargo.

Reforma na cadeia – De acordo com o jornal ABC Color, Jarvis Gimenez Pavão viveu “no luxo” em Tacumbú, onde também financiou uma série de melhorias, inclusive a construção de um refeitório para atender internos e autoridades.

Ao acompanhar a visita dos jornalistas, convidados ao local pelas autoridades, a advogada de Pavão, Laura Casuso, fez declarações que podem implicar o ex-diretor Luis Barreto e outras autoridades do Ministério da Justiça.

A advogada disse que Pavão deu dinheiro para construção de um pavilhão para 120 presos, para garantir o banho de sol dos prisioneiros. Também afirmou que o traficante pagou por melhorias na sala do ex-diretor do presídio, e comprou7 aparelhos de ar condicionado, móveis e outros equipamentos.

"Uma centena de presos comeram todos os dias graças a ele. Guardas prisionais, gestores, autoridades convidadas e aqueles que vieram para fazer visitas oficiais, todo mundo comeu nesse lugar”, gritou a advogada ao falar sobre o refeitório feito por Pavão.

Além dos “brinquedos” de Jarvis Pavão, a cela tinha “amenidades de luxo” segundo o jornal ABC Color. No local havia uma sala, uma cozinha totalmente equipada e paredes decoradas, além de uma coleção de sapatos e até caixas decoradas.

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