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Campo Grande, Sábado, 19 de Outubro de 2019

09/08/2018 10:10

Três são presos por executar jovem em “tribunal do crime” a mando do PCC

Um dos presos também participou de dupla execução ocorrida em uma favela no dia 17 de julho deste ano

Helio de Freitas, de Dourados
Alisson (de cabeça baixa) e Bruno estão presos por mortes ordenadas pelo PCC (Foto: Adilson Domingos)Alisson (de cabeça baixa) e Bruno estão presos por mortes ordenadas pelo PCC (Foto: Adilson Domingos)

Estão presos os três bandidos que, a mando do PCC (Primeiro Comando da Capital), julgaram e executaram Douglas Sarat de Moraes, 18, no dia 28 de julho deste ano no chamado “tribunal do crime”, em Dourados, a 233 km de Campo Grande. Antes de ser morto, o rapaz foi obrigado a gravar um vídeo exaltando o poder da facção criminosa.

De acordo com o delegado Rodolfo Daltro, chefe do SIG (Serviço de Investigações Gerais), Douglas foi morto por Alisson Borges de Brito, 25, o “Quati”, Luiz Henrique de Paula, 27, o “Abacaxi”, e por um adolescente, que também foi detido e encaminhado para a Unei (Unidade Educacional de Internação).

A polícia descobriu que Douglas não tinha antecedentes criminais, mas espalhava pela cidade que era simpatizante do Comando Vermelho, facção criminosa fundada no Rio de Janeiro e rival do PCC.

Quando a história sobre o apoio de Douglas ao Comando Vermelho chegou ao conhecimento do PCC, o rapaz foi ameaçado por integrantes da facção paulista e avisado que se não fosse batizado no PCC ele seria morto.

No dia 28 de julho, Douglas foi convidado por telefone para ir até o local onde seria feito o batismo. Entretanto, segundo o delegado, o convite era apenas um pretexto para atraí-lo para a morte, porque a facção já tinha decidido que ele seria executado.

Amarrado, o rapaz foi levado para um barraco abandonado no bairro Estrela Verá, perto do local onde o corpo foi encontrado morto com as mãos e pés amarrados.

No vídeo gravado no local do crime, o rapaz admitia ser simpatizante do Comando Vermelho. “Meu nome é Douglas, sou de Dourados. Corri pelo lado do CV [Comando Vermelho], eu e mais uns caras. Estávamos fazendo uma casinha para matar os PCC aqui de Dourados, mas, não vai dar não. O PCC é muito forte, quem comanda aqui é o PCC, e é isso”, disse ele, antes de morto com um tiro na cabeça.

“Todos têm que seguir o PCC, maior grupo do mundo. Aviso para vocês do CV que estão vindo para Dourados, Campo Grande e que estão aqui, sair vazado ou rasgar a camisa. Quem vai dominar é o PCC, Primeiro Comando da Capital. Nós somos simpatizantes do CV e caímos na mão do PCC agora. O PCC chegou chegando, rasgando tudo... Vocês dão tchau para o trem e é isso”, disse Douglas, repetindo palavras ditas por um dos assassinos.

Mais mortes – O SIG descobriu que Alisson também participou, junto com outros dos bandidos já identificados, da dupla execução ocorrida no dia 17 de julho deste ano na favelinha Ouro Fino, próximo à BR-163, na saída para Caarapó.

Em um dos barracos, Paulo Sérgio Santos, 30, e Getúlio Vargas da Silva, 37, foram mortos com vários tiros. “Aqui é PCC”, gritou um dos pistoleiros após o tiroteio.

Bruno assume participação na morte do Douglas, mas nega envolvimento na dupla execução. Alisson de Brito nega participação em todos os crimes, mas a polícia afirma ter provas da ligação dele com os dois assassinatos ocorridos na favelinha.

Barraco onde rapaz foi julgado e teve de gravar vídeo exaltando poder do PCC (Foto: Divulgação)Barraco onde rapaz foi julgado e teve de gravar vídeo exaltando poder do PCC (Foto: Divulgação)
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