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Interior

Tribunal nega liberdade à mulher presa por morte em “julgamento” do PCC

Gislaine Menani já perdeu recursos no TJMS e no Superior Tribunal de Justiça

Por Helio de Freitas, de Dourados | 24/11/2020 14:38
Policiais em lavoura de soja onde corpo de Maurício Matossi foi encontrado, em novembro de 2017 (Foto: Arquivo)
Policiais em lavoura de soja onde corpo de Maurício Matossi foi encontrado, em novembro de 2017 (Foto: Arquivo)

Presa acusada de participar de assassinato em “tribunal do crime” promovido pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), mais uma vez, Gislaine Centurião Menani, 28, a “Arlequina”, teve pedido de liberdade negado pela Justiça. Desta vez foi a 1ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) que decidiu, por unanimidade, rejeitar a soltura.

Ela é uma dos seis réus pela morte de Maurício Molina Matossi, 23, ocorrida em novembro de 2017 em Dourados, a 233 km de Campo Grande. Com quatro tiros de pistola 45, o corpo foi encontrado na manhã do dia 13 daquele mês em lavoura de soja na Linha do Potreirito, região leste do município.

Gislaine não aparecia entre os primeiros acusados pelo assassinato, mas no transcorrer do processo acabou denunciada por ter dirigido o carro usado para levar Maurício até o local da morte. Ela foi presa em 18 de maio de 2018.

Com antecedentes por tráfico de drogas, Maurício era acusado de ter participado do assassinato do primo de Gislaine, Fábio da Silva Centurião, 27, o “Fabinho”. A morte de Fábio ocorreu no dia 22 de outubro de 2017 em mais um capítulo da guerra travada por facções. Maurício se declarava “oposição” ao PCC.

A decisão do Tribunal de Justiça negando o habeas corpus foi publicada no Diário da Justiça desta terça-feira (24). Além de Gislaine, figuram como réus pelo assassinato Elba Jaqueline Martins da Silva Barbosa, Emerson Nascimento Martins, Heliton Josuel Lara de Souza, Ulisses Silva Martins e Max Willian da Silva Leite.

Ulisses, conhecido como “Colt”, e Emerson Martins, o “Gibi”, são apontados como duas das principais lideranças do PCC em Mato Grosso do Sul.

Maurício foi morto a tiros de pistola calibre 45 em novembro de 2017 (Foto: Arquivo)
Maurício foi morto a tiros de pistola calibre 45 em novembro de 2017 (Foto: Arquivo)

Emerson já estava preso no dia do crime e deu a ordem por celular a Ulisses Martins para a execução de Maurício. Outro envolvido, identificado como “Magrelo”, não foi localizado pela polícia.

A 1ª Câmara Criminal do TJ rejeitou os argumentos da defesa de Gislaine Menani. “Não se vislumbra ilegalidade flagrante, abuso de poder ou teratologia na decisão atacada, aptas a, excepcionalmente, admitir a concessão da ordem de ofício”, afirma trecho do acórdão, que é a decisão oficial.

Em fevereiro de 2019, o ministro Sebastião Reis Junior, do STJ, já havia negado transformar a preventiva em prisão domiciliar sob a alegação da defesa de que a douradense tem dois filhos pequenos. Na decisão, ele citou as passagens de Gislaine pela polícia, inclusive quando era menor de idade, e o fato de ela integrar facção criminosa.

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