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Interior

Vigiados por drone, indígenas temem novo ataque, agora feito por jagunços

Moradores relatam que equipamento controlado de fazenda vizinha sobrevoa acampamento todos os dias

Por Helio de Freitas, de Dourados | 30/06/2022 11:23
Índios em volta de fogueiras na fazenda reocupada após morte de guarani-kaiowá (Foto: Direto das Ruas)
Índios em volta de fogueiras na fazenda reocupada após morte de guarani-kaiowá (Foto: Direto das Ruas)

Ainda traumatizados pelo confronto com policiais militares que deixou um parente morto e sete feridos, índios guarani-kaiowá que ocupam a Fazenda Borda da Mata, no município de Amambai, temem novo ataque armado a qualquer hora. O medo agora é investida de jagunços armados.

Ao Campo Grande News, representantes do grupo informaram nesta quinta-feira (30) que o acampamento montado a poucos metros da sede da propriedade – no local onde foi sepultado o corpo de Vito Fernandes, 42 – vem sendo vigiado por drone.

“O drone fica sobrevoando a sede e nosso acampamento, o tempo todo”, afirmou uma indígena que pediu para não ser identificada por medo. Segundo ela, o equipamento é operado de uma fazenda vizinha. “Tem uma equipe de mídia no local, gravando imagens”.

Segundo a guarani-kaiowá, o grupo é alvo também de ameaças por parte da liderança da Aldeia Amambai. Emissários do capitão João Gauto estariam levando “recados” aos integrantes da ocupação afirmando que eles serão expulsos novamente da fazenda, dessa vez por fazendeiros e jagunços. “Ontem à noite o capitão mandou recado dizendo que quem vai fazer ataque agora são os próprios fazendeiros”, disse a indígena.

Gauto é apontado como um dos responsáveis pelo confronto que terminou em tragédia. Os índios acusam o capitão de ter mentido para a polícia sobre suposto envolvimento deles com o tráfico de drogas e sobre a presença de paraguaios no grupo. “Somos todos brasileiros e podemos provar”, afirmou, segunda-feira, um dos líderes do grupo, Avá Apyká Rendy.

Perícia – Segundo porta-voz dos guarani-kaiowá, equipes do MPF (Ministério Público Federal), da DPU (Defensoria Pública da União) e da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul chegaram terça-feira ao local para acompanhar peritos que fazem levantamento antropológico na área em litígio.

Com cerca de 250 hectares, a Fazenda Bordas da Mata é uma das 11 propriedades da empresa VT Brasil Administração e Participação Ltda. A empresa está no nome de Waldir Candido Torelli Junior, 35, Rodrigo Adolfi Torelli, 40, e Eduardo Adolfi Torelli, 33, filhos de Waldir Cândido Torelli, fundador do Grupo Torlim.

Segundo pedido de interdito proibitório impetrado na Justiça Federal pelos advogados dos proprietários, a fazenda foi comprada em 2009 por R$ 1,39 milhão e atualmente está arrendada para um agricultor do município. A defesa alega que não existe nenhuma ação reivindicando a fazenda como parte da Aldeia Amambai.

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