A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

05/04/2009 10:47

Mulheres plantam mudas em manifestação contra violência

Redação

Na manhã deste domingo, várias mulheres estiveram no Parque Ayrton Senna, em Campo Grande, em um ato de mobilização para lembrar as vítimas de violência. Em homenagem a cada uma delas, plantaram 39 árvores no local, no bairro Aero Rancho.

A aposentada Elza Neres Nunes, 68 anos, mãe da jovem Helen Neres, estuprada e assassinada a pedradas no dia 15 de março deste ano, foi uma das mulheres a apoiar a manifestação.

"Uma ação como essa é importante para conscientizar a população, principalmente as mulheres. A mulher está muito desvalorizada nos dias de hoje e precisa denunciar, caso seja vítima de agressão".

Dona Elza conta que após a morte da filha, muita coisa mudou em sua casa. "Muitas coisas da Helen eu tive que dar, modifiquei toda a minha casa. Quero me apegar a boas lembranças da minha filha, até porque ela me deixou uma neta de 4 anos e eu preciso cuidar dela. Para mim é como se ela fosse aparecer a qualquer momento lá em casa", diz Elza.

A filha foi encontrada em um matagal, na mesma região onde o ato pela paz ocorreu hoje.

A secretária Marta Ledesma, 34 anos, tem uma amiga que, durante muito tempo foi vítima de agressão. Ela avalia que a dependência financeira ainda é um grande contraponto que restringe as denúncias, mas que as mulheres precisam vencer esse medo e denunciar.

Aliada a causa, a adolescente Ivana Rodrigues Queiroz, 12 anos, também plantou uma muda e disse que "os homens são mais fortes que as mulheres e por isso algumas acabam não denunciando, mas isso precisa mudar. As mulheres é que na verdade sustentam seus filhos, elas são fortes", resume a menina apesar da pouca idade.

Dados da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) mostram que no ano de 2007 foram registrados, em Mato Grosso do Sul, 7.365 casos de violência contra a mulher, já em 2008 este número cresceu para 23.745.

A delegada titular da Deam, Lúcia Ferreira Falcão, recentemente disse que "se cortarmos a própria carne, não nos furtaríamos em prender qualquer pessoa". A afirmação, segundo a delegada, reforça a importância de vítimas denunciarem casos de violência à Polícia.

Lúcia manifestou sua opinião pública após o crime que tirou a vida de uma policial que trabalhava com ela na Deam: Elaine Orlando Viana Yamazaki, 35 anos. A policial foi encontrada morta no dia 13 de março na Rua 1º de Julho, Vila Carvalho. Quem a matou foi o colega de trabalho Cleidival Vasquez, que afirmou ter mantido desde o fim de 2007 um relacionamento amoroso extra-conjugal a colega.

Ação

imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions