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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

22/04/2016 14:16

Quem manda nas penitenciárias são os presos, diz agente sobre ataques

Viviane Oliveira e Luana Rodrigues
Agentes penitenciários no último dia do curso de tiro. (Foto: Marcos Ermínio) Agentes penitenciários no último dia do curso de tiro. (Foto: Marcos Ermínio)

“É lógico que ia gerar revolta. A prisão que está mais pra casa da mãe joana. Os presos fazem o que querem, daí quando chegamos para colocar ordem, eles não gostam”. A frase de um dos integrante do DPOE (Diretoria Penitenciária de Operações Especiais), grupo de elite de Brasília, resume a ação que resultou na série de ataques em Campo Grande.

Em cinco dias, três ônibus foram queimados, um apedrejado, seis agentes envenenados, três detentos encontrados mortos e várias ameças de morte a servidores. Com exclusividade e sem se identificar, o agente falou ao Campo Grande News sobre o poder que os presos têm dentro das unidades de segurança.

Os atentados foram em retaliação ao curso de incursão rápida em presídios, que os agentes fizeram na semana passada, com o grupo do DPOE. “Os presos estão com medo de perder o controle dentro das unidades. Hoje quem manda nas penitenciárias são os internos”, afirma um agente penitenciário da Capital, que pediu para não ter o nome divulgado por medo de represália.

O treinamento faz parte da preparação dos agentes penitenciários, que passarão a trabalhar armados e assumirão a escolta dos presos, que atualmente é feito pela Polícia Militar. A ação foi feita só por agentes que conseguiram controlar um principio de rebelião. No total, 90 homens participaram da operação, 78 agentes de Campo Grande e 12 homens do departamento de operações especiais.

A parte prática do curso de intervenção rápida, que durou dez dias, incluiu métodos de imobilização, uso de técnicas não letais, de armamento e tiro. Durante os treinamentos, os alunos usaram bombas de gás lacrimogênio. A operação de quarta-feira na Máxima apreendeu 61 celulares, chips, drogas e anotações da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). “Hoje, o que existe no sistema não é conivência e sim falta de servidores, os detentos temem a mudança”, diz o funcionário público.

Atualmente, sete agentes cuidam de mais de 2,3 mil detentos na Máxima em sistema de plantão. Concurso realizado pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) vai contratar mais de 400 servidores. 

Doze pessoas estão detidas por envolvimento com os atentados. O interno que ordenou os atentados já foi identificado.



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